Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

3.5 O orçamento de desenvolvimento

 

Já temos uma ideia a desenvolver e uma equipe idônea de

desenvolvimento, com funções claras, mas necessitamos conseguir

os recursos para levar adiante o desenvolvimento do projeto. A

primeira coisa que devemos fazer é determinar de quanto em

espécie precisamos para desenvolver nosso projeto. Para isto, o

Produtor Executivo encomenda ao Diretor de Produção a

elaboração de um “orçamento de desenvolvimento”.

 

Apesar de não existir um modelo universal, tentaremos descrever

todos os títulos que podem entrar nesta etapa. Para isso, o Diretor

de Produção deve pensar em que tarefas deve desenvolver ao

longo de todo o processo. Isto varia de projeto para projeto. Por

exemplo, teremos que pagar os salários do pessoal que trabalha

nesta etapa e também é necessário pensar que outros gastos

devem ser listados (gastos de escritório, transporte e alojamento

para pesquisa de campo, etc.). Também devemos ter em mente

que, assim que a pasta de desenvolvimento estiver bem avançada,

o Produtor Executivo deve começar a fazer várias reuniões de

pitching, nas quais realizará uma apresentação oral do projeto com

o objetivo de obter os recursos que permitam produzi-lo e

comercializá-lo. Essas sessões de pitching podem implicar em

gastos importantes de transporte, alojamento, aluguel de stands,

pagamento de entrada em festivais, desenho de pôster, desenho de

apresentação, produção de pré-trailer, inscrições em concursos, etc.

Se falarmos de um projeto de documentário, o orçamento costuma

ser maior, já que se acrescentam a estes gastos importantes

relacionados à pesquisa.

 

Assim como na premissa e em outros modelos desenvolvidos pela

Metodologia DPA não existe um formato universal de orçamento de

desenvolvimento. Cada Produtora, fundo de ajuda, fundação, etc.

tem seu próprio modelo de orçamento. No entanto, acreditamos que

o modelo da Metodologia DPA é suficientemente claro, organizado e

completo; ao mesmo tempo em que se torna flexível para ser adaptado ao formato solicitado pela potencial fonte de

financiamento.

 

É necessário esclarecer que muitas vezes o orçamento de

desenvolvimento é um documento transitório ou temporário que

serve apenas para efeitos de organização desta etapa do

desenvolvimento. Isto ocorre porque, às vezes, nos convém

transferir os custos de desenvolvimento ao orçamento de produção.

À primeira vista, pareceria tratar-se de uma prática que carece de

toda lógica contábil: qual é o sentido de misturar estes dois tipos de

orçamentos? A explicação tem a ver com as más práticas da

indústria audiovisual. Muitas vezes se fala do custo de um filme

referindo-se de forma exclusiva ao orçamento de produção,

deixando fora da equação os custos de desenvolvimento. De fato,

as ajudas e os subsídios que se outorgam a filmes costumam ser

calculados exclusivamente com base no orçamento de produção.

Por esta razão, a Produtora necessita transferir os custos do

desenvolvimento ao orçamento de produção, de tal forma que sejam

considerados como parte dos custos de um filme (que é, em

definitivo, ao que corresponde).

 

A seguir, veremos o modelo de desenvolvimento de projeto da

Metodologia DPA, o qual, independentemente de que seja transitório

ou não, nos é necessário e útil nesta etapa.

 

Orçamento de desenvolvimento de projeto

Item Descrição Custo Quan. Un. Custo %

unit $ Medida Total

$

 

1 Produção Executiva

 

1.1 Produtor Executivo $ 0 0,0%

 

1.2 Assistente de produção $ 0 0,0%

 

1.3 Advogado $ 0 0,0%

 

1.4 Contador $ 0 0,0%

 

1.5 Traslados pitching $ 0 0,0%

 

1.6 Alojamento pitching $ 0 0,0%

 

1.7 Alimentação−mobilidade $ 0 0,0%

pitching

 

1.8 Outros pitching $ 0 0,0%

 

1.9 Traduções $ 0 0,0%

 

1.10 Outros gastos de $ 0 0,0%

produção executiva

 

Subtotal $ 0 0,0%

 

2 Desenvolvimento de

roteiro

 

2.1 Roteirista-Editor $ 0 0,0%

 

2.2 Roteirista $ 0 0,0%

 

2.3 Chefe de Pesquisa $ 0 0,0%

 

2.4 Coordenador de $ 0 0,0%

Pesquisa de material

 

2.5 Pesquisador $ 0 0,0%

bibliográfico

 

2.6 Pesquisador de arquivo $ 0 0,0%

audiovisual

2.7 Coordenador de $ 0 0,0%

Pesquisa de campo

 

2.8 Pesquisador de campo $ 0 0,0%

 

2.9 Diretor-pesquisador $ 0 0,0%

 

2.10 Equipe técnica $ 0 0,0%

documental

 

2.11 Gastos de produção $ 0 0,0%

documental

 

2.12 Gastos de Pesquisa de $ 0 0,0%

material

 

2.13 Gastos de Pesquisa de $ 0 0,0%

campo

 

2.14 Direitos de Propriedade $ 0 0,0%

Intelectual

 

2.15 Outros gastos de $ 0 0,0%

desenvolv. de roteiro

 

Subtotal $ 0 0,0%

 

3 Direção de Marketing

 

3.1 Diretor de Marketing $ 0 0,0%

 

3.2 Designer Gráfico $ 0 0,0%

 

3.3 Roteirista do pré-trailer $ 0 0,0%

 

3.4 Outros gastos de $ 0 0,0%

marketing

 

Subtotal $ 0 0,0%

 

4 Direção de Produção

 

4.1 Diretor de Produção $ 0 0,0%

 

4.2 Diretor do pré-trailer $ 0 0,0%

 

4.3 Equipe técnica do pré- $ 0 0,0%

trailer

4.4 Gastos de produção do $ 0 0,0%

pré-trailer

 

4.5 Pós-produção do pré- $ 0 0,0%

trailer

 

4.6 Outros gastos dir. de $ 0 0,0%

produção

 

Subtotal $ 0 0,0%

 

5 Gastos de escritório

 

5.1 Aluguel de escritório $ 0 0,0%

 

5.2 Serviços $ 0 0,0%

 

5.3 Correio e courier $ 0 0,0%

 

5.4 Gastos de livraria $ 0 0,0%

 

5.5 Equipamento $ 0 0,0%

 

5.6 Impressões, papelaria, $ 0 0,0%

pasta de projeto

 

5.7 Insumos $ 0 0,0%

 

5.8 Outros gastos de $ 0 0,0%

escritório

 

Subtotal $ 0 0,0%

 

6 Outros gastos

 

6.1 Encargos sociais de $ 0 0,0%

pessoal

 

6.2 Seguros $ 0 0,0%

 

6.3 Impostos (IVA, Lucros, $ 0 0,0%

Renda Bruta, etc.)

 

6.4 Outros $ 0 0,0%

 

Subtotal $ 0 0,0%

 

Subtotal antes de $ 0

imprevistos

 

Imprevistos (5%) $ 0 0,0%

 

TOTAL $ 0 100%

 

O orçamento de desenvolvimento de projetos está dividido em seis

partes: quatro correspondentes aos diferentes departamentos e dois

a gastos gerais. As colunas indicam os nomes dos itens e subitens,

o custo unitário, a quantidade, a unidade de medida na qual está

expressa a quantidade, o custo total (que é o resultado do custo

unitário multiplicado pela quantidade) e o percentual que cada item

representa a respeito do total do orçamento.

 

É importante que o Diretor de Produção redija o orçamento da forma

mais simples e clara possível. Um dos dados que costuma provocar

mais confusão é o da unidade de medida e a quantidade. Vejamos

um exemplo: os honorários do assistente de produção podem estar

expressos em termos de um salário mensal ou um honorário total

pelo trabalho (independentemente do tempo que ele leve para

realizar sua tarefa). Se indicarmos o salário mensal, deveríamos

fazê-lo da seguinte forma:

 

Item Descrição Custo Quan. Un. Custo

unit $ Medida Total $

1.2 Assistente de $ 1.500 10 meses $

produção 15.000

 

Como não sabemos ao certo quanto tempo levará o

desenvolvimento de um projeto, convém expressar os gastos com

pessoal como um pagamento total pela tarefa, independentemente

do tempo. Neste caso, devemos indicá-lo da seguinte forma:

Item Descrição Custo Quan. Un. Custo

unit $ Medida Total

$Custo

Total $

 

1.2 Assistente de $ 1 Honorário $ 15.000

produção 15.000

 

Poderíamos exemplificar o mesmo com as refeições para o pitching.

Suponhamos que duas pessoas vão comer duas vezes ao dia

durante 10 dias, numa média de $80 cada prato. Podemos indicar

este dado da seguinte maneira:

 

Item Descrição Custo Quan. Un. Custo

unit $ Medida Total

$

1.7 Alimentação– $ 320 10 dias $

mobilidade pitching 3.200

 

Porém, desta forma se torna difícil, para quem lê o orçamento,

deduzir por que se gastará tanto dinheiro por dia. Talvez se torne

mais claro indicá-lo da seguinte forma:

 

Item Descrição Custo Quan. Un. Custo

unit Medida Total

$Custo $

unit $

1.7 Alimentação– $ 80 40 refeições $

mobilidade 3.200

pitching

 

Esclarecido este tema, passamos à análise de cada um dos itens do

orçamento de desenvolvimento.

 

Item 1: Produção Executiva O primeiro item se refere aos gastos de Produção Executiva. Nele, o

Diretor de Produção computa os honorários do pessoal: Produtor

Executivo, Assistente de Produção, Advogado e Contador. Também

figuram os gastos derivados do maior objetivo do Produtor Executivo

(conseguir o financiamento), ou seja, os gastos de translado,

alojamento, comidas e mobilidade,correspondentes às

apresentações que deve fazer. Também há um item de “outros

pitching”, que serve para que o Diretor de Produção contabilize

outros gastos como comunicações, gastos de inscrição, etc. Caso

se busque financiamento no exterior, muitas vezes é necessário

traduzir os textos, motivo pelo qual temos um item de “Traduções”.

Finalmente, há um item de “Outros gastos de produção executiva”,

onde figuram outros gastos não contemplados nos itens anteriores.

 

Ao final de cada item, o Diretor de Produção calcula o subtotal e seu

correspondente percentual a respeito do total do orçamento.

 

Item 2: Desenvolvimento de roteiro

 

É um dos mais extensos, em grande parte devido aos gastos de

pesquisa. É necessário esclarecer que se o Roteirista receber um

pagamento por ceder seus direitos à Produtora, caso se realize o

projeto, não voltará a receber pagamento pelo mesmo projeto. Por

isso, embora este montante volte a figurar no orçamento de

produção no item “roteiro”, devemos recordar que, a fim de calcular

o custo total do projeto (somando os orçamentos de

desenvolvimento, produção e distribuição), o roteiro deve computar-

se somente uma vez.

 

Ademais dos honorários do pessoal envolvido no roteiro e na

pesquisa (Roteirista-Editor, Roteirista, Chefe de Pesquisa,

coordenadores e pesquisadores), o Diretor de Produção deve

computar os custos derivados, sobretudo, da pesquisa de campo.

Será necessário transladar, alojar e alimentar os pesquisadores que

viajem, para recolher informação no lugar dos fatos. Estes gastos se

indicam no item “Gastos de pesquisa de campo”. Porém, se, além

disso, se decide organizar uma pequena equipe técnica para que o

Diretor do documentário faça um registro audiovisual, devemos computar os custos que se derivam deste nos itens: “Diretor-

Pesquisador”, “Equipe técnica documental” e “Gastos de produção

documental”.

 

Se o roteiro for uma adaptação de uma obra já existente, é

necessário comprar ou fazer a “opção” dos direitos. Por isso, existe

o item 2.14 (“direitos de propriedade intelectual”). Por último, temos

“outros gastos de desenvolvimento de roteiro”, onde se contabilizam

o restante dos gastos não contemplados em outros itens.

 

Item 3: Direção de Marketing

 

Neste item, aparecem os honorários dos membros da equipe

(Diretor de Marketing, Designer Gráfico e Roteirista do pré-trailer) e

o item “outros gastos”, entre os quais podem figurar os derivados de

pesquisas de mercado, produção fotográfica e qualquer outro gasto

do departamento de marketing.

 

Item 4: Direção de produção

 

Mesmo caso dos anteriores; aos honorários de pessoal (Diretor de

Produção) se somam os do pré-trailer, caso se decida produzir um

(Diretor do pré-trailer, equipe técnica do pré-trailer) e os gastos de

produção que figuram nos itens “Gastos de produção do pré-trailer”

e “pós-produção do pré-trailer”. Estes itens são bastante amplos, já

que englobam alimentação, transporte, atores, aluguel de

equipamento, aluguel de ilhas para pós-produção, etc. Por se tratar

de um projeto audiovisual que não será difundido publicamente, não

nos preocupamos aqui com a questão dos direitos (por imagem,

música, etc.); tampouco incidem sobre ele regulamentações

relativas a sindicatos. Se, entretanto, decidirmos publicá-lo na

Internet, por exemplo, estes aspectos devem ser considerados.

 

Item 5: Gastos de escritório

 

Se tivermos uma Produtora que desenvolve vários projetos ao

mesmo tempo, computam-se aqui os gastos proporcionais

correspondentes a um projeto individual. Um desenvolvimento pode levar 4 ou 5 anos e não é razoável calcular 5 anos de aluguel de um