Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

4.3.2 O estilo

sequências de montagem (com imagens e música), cômicas (com

alguma piada que ajude a descontrair o público), ou de exploração

de personagem (onde a caracterização ou os conflitos da linha

interna são aprofundados). Este último tipo de sequência, de

exploração de personagens, constitui um dos poucos momentos em

que a linha interna da história pode surgir. Nela pode haver certo

grau de exposição e as personagens podem falar dos seus conflitos

internos ou de sua relação com outras personagens.

 

Se agruparmos várias sequências, chegamos à unidade de medida

mais ampla em que se pode dividir uma história, que é o ato. A

divisão da história em três atos tem sentido, já que todos os eventos

(as sequências) que apresentam o conflito dramático podem ser

agrupados no primeiro ato; os que o desenvolvem, no segundo ato e

os que o resolvem, no terceiro ato.

 

4.3.2 O estilo

 

Antes, sinalizamos que na sinopse utilizamos uma grande dose de

pensamento vertical, devido a sua natureza de ordem mais técnica.

Um bom tratamento, no entanto, deve transmitir sensações e o estilo

autoral, portanto, o pensamento lateral ganha espaço na tarefa

criativa. Permite a exploração das personagens, as linhas de relação,

as caracterizações, os clímax, as emoções, etc. e nos submerge na

espera do sensorial.

 

O conceito de estilo nem sempre é totalmente compreendido. Sidney

Lumet afirmou uma vez que estilo é a palavra mais incorretamente

usada depois da palavra amor. Quando falamos de um estilo ou de

uma “estética” (outro termo usado incorretamente) de um filme,

assumimos que é território exclusivo do diretor. No entanto, é

também uma área do roteiro. Parker acredita que o estilo é uma

parte primordial na escrita do roteiro e que, às vezes, costuma ser a

mais importante.

 

[…] a característica mais importante que está abaixo de todos os

aspectos do estilo é o tom. A grande pergunta é se uma

narrativa é de tom cômico, trágico ou dramático. Depois, dentro

destes três tipos de tom, que estilo particular está sendo usado?

Por exemplo, dentro do espectro cômico, as opções variam da

paródia até a comédia disparatada, ao humor inteligente.

Cada tom particular é expresso através do estilo da narrativa em

termos de caracterização, estilo visual, ação, diálogo, ritmo e

estrutura dramática.[…]44. (T.N.)

 

O estilo é uma parte fundamental da escrita do tratamento –– e mais

adiante, do roteiro -– que não se refere à redação e sim aos

elementos da história em si. É o que nos faz reconhecer um

personagem como “almodovariano” ou a uma imagem como

“dantesca”. Uma vez determinado o tom (dramático, cômico ou

trágico), o roteirista dispõe de uma série de recursos audiovisuais

para contar a história, que vão imprimindo seu estilo, e que são os

mesmos que, mais adiante, o diretor utilizará. Vejamos a seguir as

ferramentas do estilo do roteirista, enumeradas por Parker:

 

“Locação

Não se refere apenas a onde acontece a ação da narrativa, mas

também a que elementos do espaço são utilizados para

complementar e destacar o estilo da narrativa. Por exemplo, é

muito mais fácil gerar suspense à noite que à luz do dia. A

locação para a confrontação ou revelação final pode fornecer

não apenas elementos para a ação na cena, mas também

atmosfera e suporte simbólico para as emoções na cena. As

imagens da cena ou sequência inicial indicarão aos

espectadores qual é o gênero.

 

Caracterização

Será aplicável não só as características físicas ou fisionômicas

das personagens, mas também aos seus modos de expressão

das emoções e ao leque de emoções que a narrativa contempla.

 

Diálogo

O diálogo pode ser utilizado de maneiras muito diferentes e é, a

olhos vistos, um dos elementos mais potentes da

caracterização. No entanto, o diálogo não nos fala apenas da

personagem. Também se refere à exposição, ao contexto da

ação e à emoção da narrativa.

 

O equilíbrio entre o diálogo e a ação

Cada gênero declara um equilíbrio entre a ação e o diálogo. Isto

se reflete no estilo global da narrativa.

 

A montagem

O estilo de edição ou montagem que a narrativa adota possui

um enorme impacto na duração das cenas e das sequências, no

ritmo da informação narrativa, no ponto de vista escolhido e no

desenvolvimento das perguntas ativas.

 

O ponto de vista

Decidir o ponto de vista da narrativa e a maneira como será

representado na tela constitui um assunto estilístico de vital

transcendência. No entanto, também tem sua importância no

que se refere ao enquadramento. Situar o público perto ou longe

da ação, colocar um personagem sozinho em um espaço grande

ou pequeno, ou perdido no meio da multidão, repercutirá

fortemente na emoção transmitida pelo momento. Note-se que

isso são significa saturar o roteiro com inúmeras indicações de

câmera e sim descrever a imagem requerida de tal maneira que

a escolha da posição da câmera seja óbvia.

 

A cor

O sentimento geral de uma narrativa é frequentemente

determinado pelo esquema de cores dominante e adotado na

descrição das sequências substantivas ou dos momentos mais

emotivos. Isto pode ser refletido no roteiro através da introdução

de umas poucas palavras-chave na descrição.

 

O som

Os roteiristas tendem a ignorar a trilha sonora a não ser no

óbvio, isto é, diálogos, disparo de armas de fogo, colisões de

automóveis, etc. No entanto, o leque de opções sonoras, do som

ambiental e o silêncio até as canções, passando pela música de

fundo, constituem uma excelente maneira para que o roteirista