Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

2.4.1 Alguns velhos preconceitos

motor da evolução da indústria audiovisual, assim como também a

importância da sustentabilidade econômica como combustível desse

motor. Sem a cooperação de ambos, seria impossível pôr em

funcionamento as engrenagens que fazem avançar a indústria

audiovisual.

 

Embora não estejamos questionando que postura é mais válida, o

certo é que ficam fora do campo de ação desta metodologia os

projetos meramente comerciais sem valores artísticos, os projetos

experimentais e os projetos de “falsos artistas”. Dentro do seu

campo de atuação encontram-se todos os projetos que buscam um

equilíbrio entre a qualidade artística e técnica e a recuperação do

investimento.

 

2.4.1 Alguns velhos preconceitos

 

O processo de criação e comercialização de produtos audiovisuais é

tão complexo que se faz necessário tentar encontrar uma relação

direta entre qualidade e performance. Entretanto, a discussão entre

valores artísticos de um filme e sua performance no mercado se

mantém assombrosamente de pé (especialmente em alguns países

da América Latina). Uma das razões que explicam este fato tem a

ver com o desconhecimento das regras básicas de marketing que

regulam a indústria do cinema e com uma série de preconceitos a

respeito do tema.

 

A primeira questão, o desconhecimento sobre questões básicas de

marketing, é algo muito encontrado na indústria audiovisual;

sobretudo no cinema, que costuma girar em torno da figura do

diretor-roteirista-produtor e que conta com uma série de subsídios e

ajudas que fazem com que não se dependa do mercado de forma

direta.

 

Em uma indústria como a latino-americana, na qual se

superdimensiona a figura do diretor e se menospreza a do produtor,

é lógico que a postura predominante seja a do extremo dos defensores do audiovisual como arte e a dos “falsos artistas”. Em

consequência, existe certa aversão a tudo o que soe “comercial”.

 

A realidade é que a audiovisual é uma indústria cultural e, gostemos

ou não, nossos longas-metragens, séries ou minisséries de

televisão em algum momento deverão entrar em um mercado que

se organiza pelos mesmos princípios que incidem sobre a

comercialização de qualquer produto – seja este um livro, uma

escultura, um automóvel ou um sabão. Independentemente de que

contemos com um subsídio ou outro tipo de apoio, o mercado ditará

não somente grande parte da possibilidade de seguir produzindo,

como também a transcendência do filme.

 

A segunda possível causa que alimenta este debate

descontextualizado da realidade pode ser a abundância de

preconceitos e mitos que existem na indústria. Um deles se

relaciona com o público; tende-se a pensar que há um público

quando a realidade está longe de apresentar uma massa uniforme

de pessoas com os mesmos gostos, valores e interesses. Há uma

grande quantidade de “públicos” e para cada filme, sem dúvida, há

um grupo de pessoas interessadas; para alguns filmes este público

será mais amplo e, para outros, mais reduzido. Por esta razão,

através da Metodologia DPA, identificamos nosso público e

projetamos a capacidade de recuperação do investimento, de tal

forma a adaptá-la à escala de nosso público.

 

Outro mito muito reproduzido (sobretudo entre os “falsos artistas”)é

que, para ter êxito comercial, um filme deve prescindir da qualidade

artística e por extensão, se tende a acreditar que, se um filme não

tiver uma repercussão junto ao público, é porque sua concepção foi

“genial” demais. Apesar de haver, na história da cinematografia

mundial, casos de cineastas geniais que não tiveram uma grande

repercussão de público em sua época, não devemos concluir que

todos os fracassos necessariamente se devem a um “excesso” de

genialidade. A Metodologia DPA busca reduzir a possibilidade de

cair nestes erros, zelando pela qualidade e sustentabilidade do

projeto ao longo de todo o processo e por meio de um duro trabalho no desenvolvimento do roteiro e na organização da equipe de