Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

1.1.1 Nossa definição de filme

 

A definição do conceito de filme não é uma tarefa fácil, mas

qualquer espectador pode distinguir instintivamente se a série de

imagens e sons que está assistindo corresponde ou não à categoria

de filme. O que se torna difícil é sua definição em termos legais e

objetivos. Acreditamos que isto se deva, em parte, ao fato de que

não se estão levando em conta questões conceituais, como o

gênero e o formato, o que nos permitiria distinguir facilmente um

programa jornalístico de televisão de um documentário; ou um

programa de entretenimento de uma minissérie. Assim, afirmamos

que este enfoque deveria ser incluído na definição de filme, a fim de

determinar mais claramente sua natureza.

 

Consequentemente, ao final deste livro, definiremos a palavra filme

como uma obra audiovisual composta por imagens (e geralmente

sons) que estão registradas em qualquer tipo de suporte. Esta obra

audiovisual pode corresponder aos gêneros de ficção ou

documentário e seu formato pode ser unitário (em uma única

entrega), seriado (composto por vários capítulos independentes) ou

episódico (composto por vários capítulos nos quais ocorre uma

evolução da história entre um episódio e outro).

 

FIGURA 4 – Definição de filme

 

O filme é:

 

uma obra audiovisual

composta por imagens e sons registrados em qualquer

suporte

correspondente aos gêneros de ficção ou documental

de formato unitário, seriado e episódio

 

O formato unitário corresponde àquelas obras audiovisuais

compostas por uma única entrega. Dentro desta categoria incluímos os curtas-metragens, longas-metragens e filmes para TV, que são

peças únicas e independentes de qualquer outra, já que não fazem

parte de nenhum ciclo, trilogia, conjunto, etc.

 

O formato seriado se refere às obras audiovisuais que fazem parte

de um ciclo ou série, mas que são independentes entre si. As

histórias são apresentadas, desenvolvidas e solucionadas dentro

dos limites do capítulo. As obras audiovisuais seriadas podem

apresentar alguma evolução ou mudança nas personagens ou na

história geral, entre um capítulo e outro, sempre que isto não for

relevante. Em outras palavras, cada capítulo ou entrega deve

funcionar independentemente do restante e não deve ser necessário

que o espectador conheça as outras partes para compreender,

apreciar e avaliar cada uma delas. Entram nesta categoria os

sitcoms (por exemplo, “The Simpsons”, “Will & Grace”, “Modern

Family”, “Friends” e “The Middle”), as séries de televisão (por

exemplo, “Dukes of Hazard”, “Law & Order” e “Dr. House”), os

programas “unitários” (“Alfred Hitchcock Presents”, “Tales From The

Crypt”) e as séries cinematográficas baseadas geralmente em

histórias relativamente independentes (como a série de filmes

“Rocky”, “Tubarão”, as do Batman ou as de James Bond).

 

Por último, definimos o formato episódico como aquele no qual os

capítulos contam uma parte da história geral, o que justifica o fato

de terem de ser vistos em uma determinada ordem para serem

compreendidos. Entram nesta categoria as minisséries (como “Lost”,

“True Blood”, “The Event” e “Damages”), as novelas de TV e os

longa-metragem cinematográficos que fazem parte de uma trilogia

ou conjunto, cujas histórias ou personagens têm continuidade (por

exemplo, “The Godfather”, “Harry Potter”, “Millenium” e

“Terminator”). No caso dos longas-metragens, ainda que não seja

necessário conhecer os outros filmes do conjunto para compreender

um deles, existe uma continuidade na história geral e seu

conhecimento modifica significativamente a experiência.

 

Ao longo deste livro, utilizaremos o termo filme para fazer referência

a qualquer das obras audiovisuais anteriormente definidas como tais

Para fazer do “projeto” um “filme” entra em jogo a soma do talento,

dos recursos e da vontade de uma grande quantidade de pessoas.

A habilidade da produtora (e em particular do Produtor Executivo do

projeto) nos dá apenas certo nível de confiabilidade (com base em

sua experiência, conhecimento e atitudes) de que o filme se

realizará, dentro de uma margem de erro razoável, nos termos

descritos no projeto. No entanto, um “bom projeto”, que dá como

resultado um “bom filme”, não gera automaticamente o sucesso

comercial; em outras palavras, não assegura que se converta em

um “bom negócio”.

 

A partir da finalização da pós-produção, efetua-se o processo de

comercialização que nem sempre está totalmente a cargo da

produtora, mas que (quando se trata de um longa-metragem) é

dividido em sua planificação e execução com a distribuidora. A

associação entre uma produtora capaz, confiável e competente e

uma distribuidora de características similares certamente permite

confiar que levarão a cabo o processo de comercialização da melhor

forma possível; no entanto, isto não é suficiente para assegurar o

sucesso. Ao lançar um filme no mercado, este se expõe a uma série

de variáveis não controláveis que podem ajudar no seu êxito ou

levá-lo ao fracasso. De fato, há elementos que podem ir desde

questões macro (uma crise econômica) até aspectos menores

(como um clima ideal que faz com que a pessoa prefira passar seu

tempo em atividades ao ar livre em lugar de ir ao cinema ou ver

televisão) que podem mudar drasticamente as condições de

mercado.

 

Resumindo, em comparação com um filme, um projeto é mais difícil

de ser traduzido em termos tangíveis, já que se trata de uma

“potencialidade” de algo que ainda não existe, mas que confiamos

que no futuro existirá de uma forma similar à projetada. Esta

situação planteia um grave problema na hora de organizar o

desenvolvimento como atividade empresarial. Em nosso mundo

material, torna-se evidente que precisamos de uma forma de

quantificar, determinar, medir e proteger o projeto e a contribuição

de todos aqueles que participam dele. Por isso, é necessário analisar os elementos constitutivos do projeto e encontrar uma