Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
Desenvolvimento de projetos e indústria audiovisual
Isto se deve, por um lado, ao fato de tratar-se de uma atividade
nova em nossa região, sobre a qual pouco se sabe. E, por outro,
porque, mesmo que tenha sido recentemente incluída em alguns
planos de estudo de escolas de cinema e universidades, ainda
existe uma escassez de material bibliográfico e de docentes
capacitados para ensinar sobre este assunto.
Este desconhecimento se reflete também no âmbito profissional.
Todo trabalhador da indústria cinematográfica sabe exatamente
quais são os papéis e as funções de uma equipe de produção; para
isto existem entidades (como os sindicatos, associações
profissionais, etc.) que regulam a atividade e descrevem em
detalhes o que faz e o que não faz um diretor de fotografia, um ator
coadjuvante, um assistente de produção, um diretor, um extra, um
chefe de carpintaria, etc. No entanto, poucos poderiam descrever os
papéis e as funções de uma equipe de desenvolvimento de projetos.
De fato, com exceção das sociedades que defendem os roteiristas,
as demais associações e sindicatos praticamente não consideram a
etapa de desenvolvimento de projetos como parte do trabalho de
seus representados.
A partir da minha formação em desenvolvimento de projetos na
Universidade de Londres e da experiência adquirida nesta área
através do meu trabalho como consultor de projetos, descobri que é
possível realizar uma análise dos processos envolvidos nesta etapa
que nos possibilite sistematizá-los, ordená-los e organizá-los de
forma que permitam aperfeiçoar a utilização dos recursos.
Consequentemente, denominaremos “Metodologia DPA” a
“Metodologia de Desenvolvimento de Projetos Audiovisuais”
desenvolvida neste livro. Considero que o uso desta ferramenta
pode ajudar a esclarecer esta etapa, estabelecer padrões de
qualidade e aliviar a pesada carga que significa a planificação de
uma estratégia de desenvolvimento de um projeto audiovisual.
Desenvolvimento de projetos e indústria
audiovisual Apesar de a indústria audiovisual (basicamente cinema e televisão)
em seu conjunto representar um setor importante da economia da
região, somente no campo da televisão é possível encontrar na
América Latina empresas que contam com uma produção
sustentável ao longo do tempo.
Para compreender a dimensão da indústria audiovisual em seu
conjunto basta analisar os dados do setor audiovisual nos países
mais importantes da região. De acordo com um relatório do
Observatório de Indústrias Culturais do Governo da Cidade de
Buenos Aires de 2007 1, a indústria audiovisual gerou naquele ano
mais de 2.700 milhões de dólares só na Argentina, tornando o país
o segundo em importância na região, atrás apenas do Brasil.
FIGURA 1 – Indústria audiovisual na América Latina (em milhões de
dólares)
Brasil 4.811
Argentina 2.729
México 1.742
Venezuela 988
Chile 608
Fonte: Quatersan, Romin, Lanzafame “Ind. Audiov. na América
Latina e Caribe” OIC, BS. As., 2007.
Por outro lado, se observarmos os dados referentes à exportação de
produtos audiovisuais, estes evidenciam um panorama bem
diferente, já que colocam o México como líder neste tipo de
exportações, na casa dos 93 milhões de dólares, seguido de longe
pela Venezuela, com 45 milhões, Brasil, com 37 milhões, Argentina,
com 11 milhões e Chile, com 1 milhão de dólares em exportação de
produtos audiovisuais2.
FIGURA 2 – Exportação audiovisual na América Latina (em milhões
de dólares)
México 93,2
Venezuela 45,0
Brasil 37,0
Argentina 11,5
Chile 1,5
Fonte: Quatersan, Romin, Lanzafame “Ind. Audiov. na América
Latina e Caribe” OIC, BS. As., 2007
Cabe destacar que a maior parte das exportações audiovisuais
provém da televisão mais que do cinema, o que explica a
preeminência de países tradicionalmente exportadores de
programas de televisão (principalmente novelas) como México,
Venezuela e Brasil.
A produção cultural da Argentina com relação ao PIB chegou a
níveis similares ao de países desenvolvidos, como a Espanha, por
exemplo. Com relação a isto, um artigo publicado no jornal Clarín
comenta:
Embora as indústrias culturais na Argentina não tenham o
impulso da soja ou da construção, seguem crescendo com
força. A produção de livros, filmes, músicas e programas de
televisão chegou, em 2008, a U$S 10.000 milhões, um
montante equivalente a 3,27% do PIB.
[...] As razões da expansão encontram-se nos novos negócios
associados à tecnologia. Um exemplo disto são as produções
televisivas.
Já não se exportam produtos enlatados, mas aqueles que se
vendem em formatos para adaptar ideias argentinas às
realidades de outros países. Estes são novos nichos de
mercado cultural. Francisco Cabrera, ministro de
Desenvolvimento Econômico da Cidade de Buenos Aires,
informa que a Argentina é o quarto país exportador do mundo
em formatos para televisão3. (T. N.)
Esta tendência tem crescido em todo o mundo. No caso da
Argentina, ganhou impulso no início do século, fomentada pela
desvalorização que, por um lado, obrigou à substituição de
importações e, por outro, aumentou notavelmente a competitividade
de setores como o audiovisual. Isto determinou um “boom” de
exportações não somente de formatos para televisão, como também
para o cinema publicitário. O país esteve durante muito tempo entre
os cinco primeiros mais importantes em publicidade em nível
mundial e, com a abrupta queda dos custos em dólares, tornou-se
um importante exportador de cinema publicitário.
Mais recentemente, embora a produção cultural continue crescendo,
a vantagem da desvalorização tem diminuído devido ao aumento
dos custos.
[...] a taxa de crescimento do PIB cultural em 2008 foi de 17,2%,
contra 8,2%, do setor de serviços, e 3,7%, do setor de
construção. Com estes números, a magnitude da produção
cultural argentina caminha para igualar com a da Espanha e da
França, onde representa cerca de 4% do PIB, de acordo com
dados do SInCA. Assim, a Argentina lidera, junto com o
Uruguai, o ranking da América do Sul. O crescimento se
estende também às exportações e importações onde a balança
permanece deficitária para o país.
Na cidade de Buenos Aires, o peso da cultura é ainda maior,
chegando a 9,1% do PIB.
[...][O ministro de desenvolvimento econômico Francisco]
Cabrera explica que “as indústrias criativas são aquelas que
têm o talento como insumo principal e, por sorte, abundam na
cidade. Em torno de 10% da produção e 10% do emprego estão
representados por este setor. [...] Muitas vezes, estes projetos
estão encabeçados por personalidades extremamente criativas,
mas com alguma dificuldade para liderar o processo de
crescimento ao longo do tempo.[...]”4. (T.N.)
A produção televisiva não costuma contar com os incentivos fiscais
ou subsídios com os quais conta o cinema, por isso sua produção,
com algumas exceções, fica em grande parte nas mãos de órgãos
privados. Isto tornou possível o estabelecimento de produtoras de
televisão mais sólidas que as cinematográficas.
Na Argentina, entre as décadas de 50 e 80, os próprios canais de
televisão produziam (além de seus programas de notícias, esportes
e de variedades) pequenos filmes de ficção. Como no resto da
América Latina, na Argentina houve um notável desenvolvimento da
teledramaturgia, gênero que possibilitou que este país se tornasse
um exportador de produção audiovisual, que foi se consolidando até
o presente momento.
No entanto, nas últimas décadas, os canais mais importantes (com
sede em Buenos Aires) têm pouco a pouco deixado a produção de
conteúdos de ficção e documentários nas mãos de produtoras
independentes nacionais (como Cuatro Cabezas, Pol-Ka e Ideas del
Sur, entre outras) ou internacionais (como Disney e Endemol, entre
outras) que se estabeleceram em toda a região.
Com a chegada da TV a cabo, os espectadores tiveram acesso a
conteúdos de ficção e documentários, na maioria importados de
países produtores, como os Estados Unidos por exemplo.
Entretanto, esta tendência tem se revertido nos últimos anos com a
decisão de alguns canais regionais de tv paga de começar a
produzir ou adquirir produções latino-americanas para difusão em
nível regional – ao mesmo tempo em que estão adquirindo
“formatos” locais para produção em outros países. Entre estes
canais, podemos citar Discovery Channel, History Channel e
NatGeo (no setor de documentários) e Sony Entertainment
Television, Fox e HBO (em ficção).
A ponta de lança da exportação de produções e formatos latino-
americanos (juntamente a já estabelecida novela) foi a indústria de documentários. Nos últimos anos, a ficção tem deixado de estar
totalmente ligada às novelas e começam a aparecer outros produtos
como séries e minisséries que vêm ganhando espaço na exportação
de conteúdos mediante a venda de “enlatados” e outros formatos.
Com relação a este aspecto, Ambrosini comenta:
O centro da produção artística na atualidade está focalizado na
televisão. Estima-se que os lucros pela exportação de
programas enlatados, versões locais de sucessos estrangeiros
e novelas chegam a 50 milhões de dólares. São produzidas [na
Argentina] entre 10 e 15 novelas por ano, dentre as cerca de
180 que são produzidas em toda a América Latina. Trata-se de
12.000 horas por ano, das quais 1.500 são argentinas.
Atualmente, vendem-se tanto enlatados como produções
nacionais. No caso dos enlatados, os mais conhecidos são
“Rebelde Way”, “Muñeca Brava”, programas de muito sucesso
em lugares inimagináveis como a Índia, a Rússia e Israel. Na
Rússia, Natalia Oreiro é tão conhecida como Maradona. No
caso das produções nacionais, há muitos anos o Chile e a
Espanha vendem com êxito as versões locais de “CQC, Caiga
quien caiga”. A versão americana de “Resistiré” foi vendida para
a Fox, que a produzirá sob o título de “Watch Over Me”.
Também são os casos de “Los Roldán”, transmitida na
Colômbia sob o título de “Los Reyes” e no México, como “Los
Sánchez”. “Sos mi vida” foi transmitida na Rússia, Romênia,
Hungria, Croácia, Bulgária, República Checa e em quase toda a
América Latina.
Atualmente, o mercado mundial deste formato de programa é
de 4.000 milhões de dólares, mas ainda há um longo caminho a
percorrer.
No entanto, a compra de uma ideia, de um formato, é muito
mais que um modelo de programa. Muitas vezes, é
acompanhada por aquilo que se denomina “a Bíblia” da
produção, o que corresponde a todos os serviços que
acompanham o formato: roteiros, segredos de filmagem, de
cenografia, de história das personagens, etc. Assim, quando se
vende um formato, inclui-se uma série de instruções nas quais
geralmente está a fórmula do sucesso.
O México, que foi um mercado reticente para os produtos
argentinos, depois do sucesso de “Los Roldán” (ou “Los
Reyes”), acaba de adquirir “Amor en custodia”, “Amor mío” e
“Montecristo”[…]. No caso das séries, foram vendidos aos
Estados Unidos os formatos de “Los simuladores” e “Mosca y
Smith”5. (T.N.)
A situação do cinema é muito diferente. Na América Latina, são
muito poucas as produtoras estabelecidas capazes de assegurar a
produção de vários longa-metragem por ano. Em países como a
Argentina, com uma longa trajetória na indústria cinematográfica, a
maioria dos filmes é produzida por produtoras independentes e não
resta praticamente nada do sistema de estudos que dominou a
indústria do cinema em sua época de ouro. O relatório “Industrias
culturales y su inserción internacional”, de 2006, comenta a respeito:
Pouco depois do surgimento do cinema na França, a Argentina
começou a ver e também a fazer filmes. O primeiro foi em 1897,
e em 1908 estreou o primeiro filme nacional dramatizado.
Desde esta época até hoje, a produção cinematográfica sempre
existiu no país. O início de sua etapa industrial remonta a
princípios da década de 1930, quando surgiram as primeiras
empresas produtoras de filmes. “Tango”, o primeiro filme
sonoro, é de 1933.
No final desta década já existiam mais de 25 empresas
produtoras que durante os anos seguintes até o início dos anos
50 produziam uma média de 35 filmes por ano, que cobriam o
mercado nacional e se exportavam a todos os países da
América Latina, impondo as figuras de um star system próprio.
O período entre as décadas de 40 e 50 do século XX é
conhecido como a “época de ouro” do cinema argentino, com
uma produção anual que chegou a superar 50 filmes.
O Estado nacional começou a intervir subsidiando a produção a
partir de 1944 e, em 1947, ficou estabelecido por Lei um marco
jurídico para o desenvolvimento industrial. Dez anos depois,
uma nova normativa de fomento à cinematografia criou o
Instituto Nacional de Cinematografia.
Entre os anos 60 e meados dos 80, os governos militares
impostos mediante sucessivos golpes de Estado influenciaram
de maneira muito forte o cinema argentino, tanto através da
censura, quanto pelo ataque a técnicos e artistas encarcerados,
a tortura, o exílio, os assassinatos e os desaparecimentos. […]
Neste período, a exportação de longas-metragens era fruto dos
esforços de alguns poucos produtores (como Armando Bo, com
os filmes protagonizados por Isabel Sarli, por exemplo) e
centrada em determinados gêneros. […]
Com a chegada da democracia, houve um esforço oficial para
fomentar a exportação de longas-metragens mediante a criação
de uma agência chamada Argencine: “em meados da década
de oitenta, foi criada dentro do Instituto Nacional del Cine a
Argencine, com o objetivo de fomentar a comercialização
internacional de filmes de produção nacional. Durante os quatro
anos que durou a experiência, a Argencine vendeu 79 filmes
argentinos ao exterior, a grande maioria a canais de televisão
(66) e o resto a salas de cinema (13), com uma forte
concentração em países da Europa Ocidental (61%). A
Argencine teve durante seus seis anos de existência uma
representação comercial em Madrid.”
Na primeira metade dos anos 90, “as poucas filmagens feitas já
dependiam quase que exclusivamente do apoio oficial. Isto se
explica pelo desaparecimento dos grandes estudos, a ausência
de capitais de risco, os altos custos de produção influenciados
pela flutuação do câmbio, a redução ao mínimo histórico da
quantidade de salas de exibição e o distanciamento do público
com relação à TV fechada e aos vídeos assistidos em casa”. Na
segunda metade da década, a partir da competição fomentada
por um novo sistema regulatório ao INCAA, houve uma
recuperação da atividade cinematográfica, passando à
produção de 5 a 30 filmes. Aumentou também o número de
salas, que alcançou seu piso histórico em 1992.
Quanto às exportações especificamente, a lei de conversão
vigente durante quase toda a década de 90, que igualava um
peso a um dólar americano, desestimulava qualquer iniciativa
exportadora. Neste sentido, a medida de política econômica
mais importante para estimular as exportações foi a
desvalorização de mais de 300% no valor do peso argentino
com relação ao dólar americano a partir de 2002. Para a
indústria cinematográfica, este novo esquema cambial voltou a
tornar a exportação de filmes uma importante fonte de negócios
[…]
Por fim, mais de setenta anos depois de iniciada a produção
industrial de filmes no país, e considerando os repentinos
acontecimentos sociais, políticos e econômicos vividos pela
Argentina neste período de tempo, é possível afirmar que o
estabelecimento de um marco jurídico, somado à ação de um
instituto executivo específico, permitiu a permanência e o
relativo desenvolvimento de um setor industrial cinematográfico.
No entanto, nem as políticas públicas nem a ação privada
puderam estabelecer ao longo do tempo estruturas, ações ou
mecanismos permanentes para poder desenvolver em todo o
seu potencial a exportação da produção6. (T.N.)
Como consequência da perda do mercado externo, a indústria
cinematográfica local foi desmantelando o sistema de grandes
produções para substituí-lo por umas poucas produtoras
independentes estáveis e uma grande quantidade de pequenas
produtoras efêmeras que se formavam em torno a um único projeto
e logo desapareciam. Todas, sem exceção, contavam com o apoio
governamental. A este respeito, o citado relatório comenta:
A Argentina atual é um dos poucos países do mundo a possuir
uma indústria cinematográfica própria que abarca todas as
fases da cadeia produtiva, desde a criação até a exibição dos
filmes ao público mediante distintos sistemas de exploração
comercial. Quando se toma como parâmetro a quantidade de
obras produzidas, o setor industrial cinematográfico apresenta
um tamanho médio, sendo seus filmes reconhecidos
internacionalmente tanto do ponto de vista técnico quanto
artístico.
O setor de produção se estrutura a partir das políticas de
redistribuição do Fundo de Fomento Cinematográfico do
INCAA. Praticamente toda a produção cinematográfica
argentina utiliza algum dos instrumentos de fomento oferecidos
pelo INCAA. Pode-se afirmar que, sem o INCAA, não existiria a
indústria cinematográfica na Argentina, tal como a conhecemos
hoje. Provavelmente, estaria limitada a algumas produções
isoladas ou àquelas que puderam contar com uma certeza
quase que absoluta com relação ao êxito comercial de sua
exibição. A intervenção estatal permite também o
desenvolvimento de capacidades técnicas, artísticas e outras
atividades relacionadas cuja importância econômica ultrapassa
o próprio setor cinematográfico.[…]
A legislação sobre fomento cinematográfico e a própria ação do
INCAA até hoje visam assegurar, em primeiro lugar, a
existência de uma indústria cinematográfica nacional e, em
segundo plano, o desenvolvimento pleno de seu potencial. Isto
acontece porque, na cadeia de valor do setor, a maior parte da
ajuda pública está concentrada no setor de produção, sendo
muito menor a ajuda voltada para o incentivo à comercialização
(distribuição e exibição), tanto interna quanto externa7. (T.N.)
O aumento da produção por pequenas produtoras significa que
existe uma grande escassez de capitais para a re-inversão na etapa
de desenvolvimento, posto que a maioria do financiamento depende
quase que exclusivamente dos recursos humanos que “investem”
seu trabalho com a esperança de que o projeto chegue à fase de
produção. Em consequência, na maioria dos casos, os projetos são
desenvolvidos de acordo com critérios ad hoc e sem uma
metodologia que potencie os escassos recursos e torne o processo
mais eficiente.
1 Observatório de Indústrias Culturais do Governo da Cidade de
Buenos Aires, relatório de 2007.
2 QUATERSAN; ROMIN; LANZAFAME. Industria Audiovisual en
Latinoamérica y Caribe. Buenos Aires: OIC, 2007.
3 QUIROGA, Anabella. La producción cultural también se puede
convertir en buen negocio. Jornal Clarín, Buenos Aires, p. 5, 11
mar. 2010. Suplemento ¡Eco.
4 Ibidem.
5 AMBROSINI, Antonio. La cultura del entretenimiento. Buenos
Aires: Fundación Universidad de Palermo: Nobuko, 2008.
6 INDUSTRIAS culturales y su inserción en el comercio
internacional. Relatório de 2006. Buenos Aires.
7 Ibidem.