Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
4.3.8 Técnicas de escrita: de dentro para fora
joga no divã e abre seu coração. Deseja ser compreendido. Não
coloca barreiras, não há nenhuma intimidade que seja tão
privada como para não poder se confessar. E ao arrancar seus
terríveis pensamentos e sentimentos e elevá-los até a superfície,
o que o analista faz? Em silêncio, concorda e faz anotações. E o
que ele anota? O que não está dizendo, o secreto, as verdades
subconscientes que se ocultam atrás da confissão que está
mexendo com o paciente. “Nada é o que parece. Não há texto
sem subtexto” 49. (T.N.)
4.3.8 Técnicas de escrita: de dentro para fora
Na sinopse, geralmente há uma grande proporção de escrita de fora
para dentro. Ou seja, o roteirista observa as personagens e a história
de cima e desenha uma estrutura dramática que desempenha o
papel de mapa com os pontos por onde o protagonista deve passar
no seu caminho através da história. É um tipo de escrita estratégica,
onde utilizamos principalmente o pensamento vertical. É um método
totalmente válido, considerando a natureza mais técnica da sinopse.
No entanto, a natureza do tratamento é completamente diferente, já
que sua finalidade é transmitir emoções, imprimir um estilo, criar
personagens críveis e tridimensionais e uma história com um
subtexto interessante, que o espectador possa descobrir. A natureza
própria de cada tipo de documento de roteiro muitas vezes é
ignorada, já que a tendência é acreditar que a diferença entre uma
sinopse, um tratamento, uma escaleta e um roteiro reside na
quantidade do detalhe. Isto é, costuma-se acentuar a diferença de
grau e ignorar a diferença fundamental de qualidade.
Para enfrentar os desafios que surgem na escrita do tratamento, o
roteirista dispõe de uma técnica explicada em detalhe no livro Story
de Robert McKee, a qual se refere a como “escrever de dentro para
fora”. Para escrever personagens e histórias críveis, temos que nos
meter na cabeça de cada um e ver a realidade a partir do seu
mundo. Não basta perguntar o que faria uma pessoa em
determinada circunstância, também não adianta perguntar o que nós
faríamos. A pergunta correta é: – Se eu fosse essa personagem, com seu entorno, educação, sentimentos, passado, medos, aptidões,