Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

4.3.3 A linha interna: arco dramático e relações com outras personagens

defina o estilo da narrativa. Note-se que, se quiser referir-se a

uma música em particular, de modo algum deverá considerar

que o leitor necessariamente terá sua mesma cultura musical,

por isso, é recomendável descrever a natureza da mesma junto

ao título.

 

Os efeitos especiais

Variam dos momentos óticos simples como, por exemplo, seguir

a trajetória que descreve um frisbee através do ar, até a criação

de mundos da mais delirante fantasia. Com esta variedade de

opções, sua repercussão no estilo é igualmente variável; em

todo caso, sempre é importante descrever, sucintamente, o que

veremos na tela e não o que está acontecendo ao redor ou na

mente de um personagem. Note-se que, ao trabalhar com o

gênero fantástico ou com personagens imaginárias e fenômenos

fantásticos, não só deverá contemplar sua representação na

tela, mas também suas limitações. Destas limitações se

derivarão o drama e a credibilidade dos acontecimentos irreais

[…] 45. (T.N.)

 

4.3.3 A linha interna: arco dramático e relações com outras

personagens

 

Outra característica do tratamento é que permite um maior

desenvolvimento não apenas da linha externa, mas principalmente

da linha interna. A sinopse firma a base da evolução do conflito

interno principal do protagonista e da sua relação com as principais

personagens; mas o tratamento os explora em um nível de detalhe

significativamente maior.

 

Um tratamento deve ser capaz de desenvolver a linha interna do

protagonista em toda sua expressão (isto é recomendável também

para as outras personagens). No começo da história, o protagonista

é de uma forma determinada; no final da mesma, ele precisa ter

mudado. Os problemas que deve enfrentar e as decisões que toma

ao longo da linha externa devem provocar a evolução da sua relação

com as demais personagens (as histórias secundárias) e a evolução

dos seus conflitos internos (seu arco dramático). Se isto não acontecer, será difícil que o espectador sinta empatia pelo

protagonista e corremos o risco de que ele perca o interesse. McKee

fala sobre o tema ao referir-se ao caráter ou personalidade da

personagem:

 

O verdadeiro caráter se revela através das opções que cada ser

humano escolhe sob pressão: quanto maior for a pressão, mais

profunda será a revelação e mais adequada será a escolha que

façamos da natureza da personagem. […] A pressão é

essencial. As decisões tomadas em situações nas quais não se

arrisca nada significam pouco. Se uma personagem escolher

contar a verdade, quando não se importaria em contar uma

mentira, sua escolha será trivial e esse momento não

expressará nada. Mas, se essa mesma personagem insiste em

dizer a verdade quando a mentira lhe salvaria a vida,

percebemos que a honradez faz parte da sua natureza.

Consideraremos a seguinte cena: dois carros avançam por uma

estrada. Um é um furgão velho enferrujado cheio de baldes,

rodos e vassouras. No volante, temos uma imigrante ilegal, uma

mulher tímida e calada que trabalha no serviço doméstico por

pouco dinheiro pago sem carteira assinada, que usa como único

recurso para manter a sua família. Ao seu lado, há um

espetacular Porsche novo, dirigido por um neurocirurgião

brilhante e endinheirado. São duas pessoas que vivem em

ambientes completamente diferentes, com crenças,

personalidades e idiomas distintos, suas caracterizações são

totalmente opostas. Logo, diante deles, um ônibus escolar cheio

de crianças perde o controle e bate em uma ponte, ardendo em

chamas e prendendo as crianças no seu interior. Agora, sob esta

pressão enorme, descobrimos quem são realmente estas duas

pessoas.

Quem decide se deter? Quem escolhe seguir seu caminho?

Cada um tem motivos para seguir seu caminho. A mulher está

preocupada porque, caso se envolva, a polícia irá interrogá-la,

descobrir que está ilegalmente no país, deportá-la para o outro

lado da fronteira e sua família morreria de fome. O cirurgião

teme que, se sofrer um acidente e queimar suas mãos, as

mesmas mãos com as quais realiza milagrosas operações de