Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
6.1.1 O pedigree
vezes um bom filme deve ter um diretor aceitável, mas uma história
genial com personagens inesquecíveis que a convertem em um
clássico. O diretor aceitável colherá os louros e poucos se
lembrarão do roteirista que foi o criador da história genial e dos
personagens inesquecíveis. Mas são os atores quem costumam ser
os mais supervalorizados. Independente se o ator em questão é
genial interpretando um personagem, não é mais que o final de uma
longa linha de artistas que trabalharam durante muito tempo e com
muito esforço e talento.
Gostando ou não, a realidade é que as pessoas tendem a prestar
mais atenção ao que é imediato. O perceptível é a “porta de
entrada” da obra, mas após essa capa externa, está o conteúdo. Um
ator genial sem um bom personagem, uma boa história e uma boa
direção não teria como mostrar seu talento.
Da mesma forma, um investidor em potencial costuma pré-avaliar
um projeto com base no valor agregado (nomes conhecidos, valores
de produção, pôster, etc.). Se isto gerar interesse, apenas em uma
segunda instância prestará atenção ao projeto. O valor agregado de
um projeto está constituído por dois aspectos: o “pedigree” e a
apresentação. O pedigree está dado pelo talento (que está
calculado no orçamento de produção SL) e outros elementos, como
os apoios ou distinções com que o projeto pode contar, etc.
FIGURA 60 – Valor agregado do projeto
O valor agregado do projeto está composto por duas áreas:
o pedigree(talento + outros)
apresentação (desenho + impressão + organização)
6.1.1 O pedigree Durante o pós-desenvolvimento, o Produtor Executivo deve
certificar-se (mediante pré-contratos ou cartas de intenção) da
participação do talento chave no projeto. Esta é a parte essencial da
questão. Se colocássemos em ordem de importância os elementos
externos mais importantes, poderíamos dizer que o mais importante
é o talento, seguido pelo desenho gráfico e em terceiro lugar, as
distinções que o projeto obtiver.
Ao fazer o pitching do projeto ao talento, o Produtor Executivo deve
fazer uma espécie de matriz FOFA mental, reconhecendo os
aspectos do projeto e do entorno que podem ser aproveitados. Por
exemplo, pode ficar sabendo que um ator está buscando novos
papéis que o ajudem a mudar de posicionamento, ou que um diretor
está buscando projetos de um determinado gênero, etc. Em termos
gerais, poderíamos dizer que para um diretor, o projeto ideal é
aquele com um bom roteiro, um bom orçamento, um valor
estratégico para sua carreira e um bom salário. Para um ator, o
projeto ideal é o que tem um bom diretor, um bom personagem, uma
boa história, um valor estratégico para sua carreira e um bom
salário. A matemática neste caso é infalível e se no nosso projeto
tiver menos de um destes elementos, deve ser compensado com
uma porção extra dos outros.
Claro que tudo depende do projeto e o Produtor Executivo deve ser
suficientemente flexível para adaptar-se às circunstâncias especiais.
Geralmente se aproxima do talento (diretor, elenco, música, etc.), às
vezes através do seu representante; se o tamanho da indústria
cinematográfica ou do projeto é modesto, muitas vezes a
aproximação ocorre de maneira mais informal e pessoal (através de
um contato ou em forma direta). O talento que costuma agregar um
valor especial ao projeto costuma ser, normalmente, o diretor e os
atores. Mas não devemos esquecer da música. Este é um elemento
muitas vezes relegado nos projetos.
Ao falar de música, não nos referimos unicamente ao autor da
música incidental (a composta especialmente para o filme), e sim
toda música que aparecer no filme. A inclusão de músicas e intérpretes conhecidos na trilha sonora pode fazer uma grande