Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
2.3 Campo de atuação da Metodologia DPA
atrativos, um orçamento equilibrado e um plano para comunicar e
comercializar o filme que permita recuperar o investimento e
maximizar os lucros da Produtora.
2.3 Campo de atuação da Metodologia DPA
A Metodologia DPA se ocupa exclusivamente de produtos
audiovisuais de qualidade, pensados para um público determinado,
que tenham potencial para se converterem em um negócio
sustentável (o que se denomina na indústria quality commercial).
Ficam de fora de seu campo de ação tanto os filmes pensados e
produzidos com o único objetivo de expressão artística (como a
videoarte ou os filmes experimentais), como aqueles que
perseguem um objetivo exclusivamente comercial (quer dizer, os
filmes que se baseiam meramente em uma “fórmula comercial”).
O espectro pode ir desde projetos de alto orçamento para um
público amplo, até pequenos projetos de baixo orçamento para um
público especializado (o mercado de nicho). Na realidade, esta
metodologia não necessariamente busca desenvolver projetos para
o “público em geral”; como qualquer negócio, busca simplesmente
equilibrar investimento com retorno, de forma que a Produtora possa
seguir produzindo.
2.4 Arte e comércio
Historicamente tem havido uma disputa entre aqueles que dão mais
valor ao aspecto comercial da indústria audiovisual e aqueles que
fazem o mesmo com o artístico. O primeiro grupo argumenta que os
filmes são somente um negócio e seu objetivo principal é gerar o
maior lucro possível, com o menor risco. Para este grupo, formado
geralmente pela televisão e os grandes estúdios de cinema, o
artístico tem pouca importância. Para atingir seu objetivo,
estabeleceram uma série de “fórmulas” comerciais que permitem
reduzir os riscos do mercado e potencializar seus lucros.
Podemos encontrar exemplos disto ao longo da história do cinema e
da televisão em todos os países do mundo, porém com particular
importância nos Estados Unidos. A indústria norte-americana é,
talvez, o exemplo mais acabado desta tendência que abarca desde
o estabelecimento do “Studio System” e do “Star System” nos anos
30, até os orçamentos astronômicos de marketing e um poderoso
arsenal de efeitos especiais 3D de hoje em dia. Este tipo de filme
(junto a uma série de circunstâncias históricas, culturais,
econômicas, sociais e políticas) é o que fez dos Estados Unidos
uma superpotência audiovisual que praticamente não tem
concorrente em nível mundial.
No outro extremo se encontram os defensores do audiovisual como
arte. Para este grupo, o mais importante é a expressão artística em
seu mais alto nível e o mercado pouco ou nada tem a ver com ela.
O objetivo destes “defensores da arte” é melhor atingido quando o
artista se libera das ataduras impostas por seu entorno e tem
controle total sobre sua obra. Desde seu ponto de vista, o
importante é a expressão artística livre e, para isto, o artista deve
evitar “contaminar-se” com ideias sobre o mercado para poder
desenvolver plenamente seu potencial. O retorno do investimento e
o êxito comercial são temas de escassa ou nenhuma importância na
consecução de seus objetivos.
Os valores deste segundo grupo são louváveis quando os artistas
os levam a cabo com honestidade. Porém, muitas vezes,
encontramos camuflados, dentro deste grupo, um terceiro grupo, o
dos “falsos artistas”, que se fazem passar por defensores da
expressão artística quando na realidade estão mais interessados no
reconhecimento da crítica e nos festivais do que na arte em si. Em
vez dos efeitos especiais e das explosões, os falsos artistas
carregam seus filmes com um arsenal de clichês artísticos
especialmente desenhados para causar impacto entre os jurados
dos festivais e os críticos.
A Metodologia DPA se situa em um ponto intermediário entre estas
posturas ao reconhecer a natureza básica do audiovisual como indústria cultural. Valoriza a importância da inovação artística como