Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
4.1.1 Estruturas narrativas
A sinopse costuma ser um documento com uma alta porcentagem de
pensamento vertical, pelo qual há um espaço limitado para a marca
autoral – de fato, se pedirmos a dois roteiristas que escrevam uma
sinopse biográfica sobre Napoleão, veremos poucas diferenças entre
ambas as versões. No entanto, é importante que o roteirista comece
a plantar as sementes do seu estilo autoral. Uma sinopse de uma
comédia de costumes que não é engraçada, ou uma sinopse de um
thriller policial que não gera intriga, não são boas cartas de
apresentação para um roteirista. A escolha do vocabulário, o estilo
de redação, o estilo de história e de personagens, etc. permitem ao
autor começar a desenhar sua marca na sinopse.
Finalmente, uma recomendação que pode parecer redundante, mas
na minha experiência de centenas de roteiros de ficção e
documentários consultados, acho necessário fazer: a sinopse deve
contar a história, não explicá-la. A história deve ser autoexplicativa;
se o roteirista precisar explicá-la ao leitor para que a entenda, então
ou a história não está clara, ou o roteirista não sabe fazer seu
trabalho.
4.1.1 Estruturas narrativas
Antes de escrever a sinopse, é preciso determinar a estrutura
narrativa, já que a determinação do gênero específico (coisa que já
fizemos na premissa) e a estrutura narrativa são condições
indispensáveis para sua elaboração.
Dissemos que o objetivo da premissa é gerar interesse no leitor; na
sinopse o objetivo principal é demonstrar que o roteirista é capaz de
estruturar corretamente uma história – em outras palavras, que é
capaz de organizar a informação de uma história de tal forma que
permita manter o interesse ao longo dos seus três atos. A sinopse é
uma excelente oportunidade para que o Roteirista-Editor e o
Roteirista demonstrem que sabem contar bem uma história com um
conflito dramático sólido e interessante.
Não existe uma receita mágica para contar histórias interessantes;
no entanto, o manejo dos diferentes tipos de estruturas narrativas permite aos roteiristas organizar a informação da forma mais
conveniente para manter a atenção do público e provocar uma
viagem emocional com três picos de tensão que poderiam ser
representados graficamente da seguinte forma:
FIGURA 35 – A viagem emocional
Este é o verdadeiro objetivo de todo filme. Independente da estrutura
narrativa e dos recursos audiovisuais utilizados, um bom filme é o
que consegue que o público se eleve da sua realidade e mergulhe no
universo que criamos, experimentando esta montanha russa de
emoções. A estrutura clássica não casualmente coincide de forma
perfeita com esta viagem emocional, com dois pontos de virada que
elevam a tensão, e um clímax que a leva ao seu ponto mais alto. Por
isso é tão importante compreender os princípios da narração
clássica.
FIGURA 36 – A viagem emocional e a estrutura clássica
Outras estruturas narrativas alternativas (que contam mais de uma
história, com mais de um protagonista) procuram potenciar a viagem
emocional sobrepondo as tramas como um verdadeiro tecido. A seguir, realizaremos uma breve incursão pelo tema das estruturas