Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
3.1 Passo 1: Organização da equipe de desenvolvimento
de material teórico e à escassa importância que as escolas de
cinema e universidades têm dado ao desenvolvimento de projetos.
Infelizmente, esta falta de valorização não é algo circunscrito ao
âmbito exclusivamente acadêmico, também se reflete na indústria,
nos organismos governamentais e nos não governamentais.
Consequentemente, esta etapa costuma ser realizada de forma
mais instintiva, desorganizada e fragmentada com procedimentos
ainda não totalmente definidos. Esta é outra das razões porque
consideramos que nos basear exclusivamente na prática, nem
sempre terminaria sendo de grande utilidade.
A intenção da Metodologia DPA é estruturar os processos para uma
melhor utilização dos recursos, em uma série de passos, os quais
descreveremos a seguir. Do mesmo modo, explicaremos os padrões
de qualidade que lhes devem ser aplicados, além de descrever as
técnicas ou estratégias para levá-los adiante.
3.1 Passo 1: Organização da equipe de
desenvolvimento
A origem de todo projeto, costuma-se dizer, é uma ideia a partir da
qual um grupo de pessoas decide levar adiante seu
desenvolvimento. Esta romântica afirmação é bastante certa, porém,
se olharmos de perto, veremos que não é assim tão rigorosa. Em
primeiro lugar, as ideias não “flutuam” no espaço como entidades
independentes dos seres humanos, portanto, se falarmos de ideia,
devemos aceitar que, antes dela, teve que haver alguém que a
criasse – motivo pelo qual nunca se poderia considerá-la como o
início. Em segundo lugar, a mera aparição de uma ideia não
necessariamente determina o começo do desenvolvimento de um
projeto. As pessoas têm muitas ideias, mas não necessariamente todas elas são material para desenvolvimento. As que se convertem
na faísca que acende este processo são aquelas que são aprovadas
seja pelo grupo de desenvolvimento, mais comumente por seu
criador, em primeira instância, e em seguida por aqueles que vão se
unindo ao grupo. Em conclusão, por mais romântico que soe, o
pontapé inicial não é dado pela aparição de uma ideia, mas pela
aparição de pessoas que a criam e a aprovam.
Como aqui desenvolvemos uma metodologia baseada nos
princípios de eficiência e eficácia, consideramos que a situação
ideal é a organização de uma equipe de desenvolvimento que
elabore, avalie e aprove uma ideia. Não podemos afirmar que as
ideias criadas em conjunto são melhores que as elaboradas por
uma pessoa, mas podemos, sim, dizer que a participação de mais
de uma pessoa neste processo pode ajudar a potencializar a
riqueza dessa matéria-prima inicial.
Em toda a América Latina, produtoras médias e pequenas
desenvolvem centenas de projetos a cada ano. Apesar de a maioria
das produtoras não contar com um departamento de
desenvolvimento, estes projetos contam com a vantagem de
desenvolver-se dentro de uma estrutura empresarial que lhes
proveja recursos e lhes dê certo grau de organização.
No entanto, a maioria dos projetos, que se desenvolvem ano a ano,
não corresponde a este esquema. Trata-se de projetos liderados por
uma pessoa (geralmente o diretor), que se desenvolvem de forma
independente, que raramente contam com capital e que carecem de
uma organização baseada em funções específicas. Denominaremos
estes projetos, desenvolvidos fora de toda estrutura empresarial,
como projetos “pessoais”.
Os projetos “pessoais” lideram em número a criação e o
desenvolvimento de projetos, mas infelizmente costumam ter sérias
dificuldades para ter acesso aos recursos necessários (de estrutura,
de capital, humanos, etc.) e carecem de uma organização clara de
papéis e funções. Isto determina que muitas vezes sejam levados
adiante de maneira bastante informal, instintiva, errática ou desorganizada, o que faz com que os poucos recursos disponíveis