Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

5.6.4 Como avaliar um roteiro

A voz em off no documentário também mantém a característica de ser uma narração de um relator onisciente. Mas, diferente da ficção, no documentário, geralmente não serve apenas para complementar ou contrastar com imagens, mas também para organizar, contextualizar ou ampliar. Outra semelhança com a ficção é que deve evitar alarmar ou dar sermão ao público. A “ordem autoritária” ou “a lição sobre como ou o que pensar” demonstra desprezo pela capacidade do público de tirar suas próprias conclusões e não provocam mais que a sua rejeição.

 

Uma característica própria do documentário é que por ser uma comunicação auditiva, existe um limite na quantidade de dados precisos. Por exemplo, se dissermos que, “em 2008, foram exportados 348.458 kg de farinha” é pouco provável que o espectador retenha esta informação. É melhor dizer que “em 2008 foram exportadas quase 350 toneladas de farinha.” Caso seja necessário, é possível recorrer a gráficos ou quadros que apoiem visualmente a informação transmitida.

 

O uso da voz em off costuma encontrar bastante resistência em documentaristas de cinema (o que não acontece nos de televisão, onde o seu uso é bastante comum). Na maioria dos casos, esta reticência não tem a ver com um estilo de narração e sim com uma tentativa exagerada de se distanciar do documentário televisivo (que os documentaristas de cinema consideram uma “arte menor”). Nem seria necessário dizer que se trata de um preconceito ridículo e sem fundamento. Há documentários bons e maus tanto no cinema quanto na televisão. Da mesma forma, a voz em off é simplesmente um recurso que pode estar bem ou mal utilizado. O certo é que, em um documentário, há 5 formas de transmitir informação ao público: com entrevistas, material de arquivo, reconstrução de fatos, placas e voz em off. De todas elas, o roteirista de documentário só pode controlar duas: as placas e a voz em off, por isso, prescindir da mais importante (a voz em off) é uma escolha arriscada que pode dar certo ou não.

 

5.6.4 Como avaliar um roteiro

 

A maioria das diferenças entre o roteiro e a escaleta são de grau, por isso, o Roteirista-Editor utilizará para a análise as mesmas perguntas que para o tratamento e também adicionará outras perguntas específicas de roteiro, que listamos a seguir.

 

O roteiro mantém as conquistas da premissa, da sinopse, do tratamento e da escaleta? Está formatado de maneira correta?

Traduz toda a informação a uma linguagem audiovisual? O estilo de redação é o correto?

 

Perguntas sobre os diálogos:

 

Estão equilibrados em relação à ação?

Evitam dar informações que poderiam ser mostradas com imagens? Trabalham o subtexto?

São naturais?

Criam conflito e fazem a história avançar?

Evitam ser redundantes?

Dão às personagens uma “voz própria”?

Evitam dar sermão ao público?

 

Perguntas sobre a voz em off para a ficção: