Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

4.2 Avaliação 1

A hipótese -– ou o tema -– é apresentada claramente no

primeiro ato?

No final do primeiro ato, há um elemento forte que

surpreenda o público e dê por terminada a apresentação da

hipótese e seu contexto?

O segundo ato apresenta o desenvolvimento de uma forma

suficientemente original, dinâmica e interessante para

manter a atenção do público?

No final do segundo ato, há um elemento forte que

surpreenda o público e dê por terminado o desenvolvimento

da hipótese?

No terceiro ato, a hipótese é comprovada ou refutada? Há

uma conclusão? Há um elemento final que leva ao maior

pico de atenção do público?

 

O Roteirista-Editor realiza uma avaliação com base neste

questionário e seguirá trabalhando junto ao roteirista nas diferentes

reescrituras até que todas estas perguntas sejam respondidas de

maneira positiva. Isto é um processo difícil que exige um grande

domínio da técnica narrativa e uma alta dose de pensamento vertical.

O importante é concentrar a energia em resolver a estrutura para que

nos próximos níveis de desenvolvimento, possamos enfocar em

outras questões que serão descritas mais adiante.

 

Uma vez que o Roteirista-Editor considera que as perguntas sobre a

sinopse foram respondidas satisfatoriamente, leva-a ao Produtor

Executivo, que deve dar o visto antes de começar a trabalhar no

tratamento.

 

4.2 Avaliação 1

 

O Produtor Executivo reúne os líderes da equipe (Roteirista-Editor,

Diretor de Marketing e Diretor de Negócios). O Roteirista-Editor expõe a sinopse e explica sua estratégia de desenvolvimento de

roteiro para os próximos documentos. O Diretor de Marketing e o

Diretor de Produção dão sua opinião sobre a viabilidade do projeto a

partir do seu ponto de vista. Obviamente, ainda é muito cedo para

poder dar uma opinião acabada, mas é possível opinar sobre

questões gerais, por exemplo, para um Diretor de Produção já poder

ter uma ideia do nível de orçamento. Caso seja uma história com

uma estrutura alternativa, locações em lugares remotos e uma

grande quantidade de personagens, evidentemente não se trata de

um filme de orçamento baixo.

 

É importante esclarecer a questão das opiniões dos líderes de

equipe. Quando o Produtor Executivo os convoca, espera que cada

um fale de acordo com o papel que lhe corresponde; existindo um

especialista em roteiro, não teria sentido que o Diretor de Marketing

opinasse se a estrutura da história está ou não correta. Pode, caso

corresponda, opinar sobre o potencial de comerciabilidade de

determinado gênero, tipo de histórias, de personagens, etc.

 

Uma vez cumprida esta função, os membros podem falar

informalmente sobre as ideias que tiveram ou sobre os aspectos da

história que geraram interesse, dúvidas, rejeição, etc. Na maioria dos

casos, as equipes de desenvolvimento estão formadas por pessoas

com grande afinidade e estas conversas informais ocorrem de

maneira espontânea. Muitas destas avaliações são feitas ao redor de

um churrasco, tomando chimarrão ou um café com leite e

medialunas (caso se esteja na Argentina). Isto sempre é positivo,

não só porque o Roteirista-Editor pode ter alguma boa ideia, mas

também porque contribui para o entusiasmo ao redor do projeto e

para o sentido de pertencimento do grupo.

 

Se, após esta primeira avaliação, o Produtor Executivo achar que faz

sentido avançar na direção proposta, confirma sua aprovação e o

Roteirista-Editor continua com a elaboração do tratamento. Se,

considerando as opiniões dos Diretores de Marketing e de Produção,

o Produtor Executivo achar que é necessário introduzir modificadores

na história, o Roteirista-Editor volta ao passo anterior de nossa

Metodologia para obter uma nova versão da sinopse.