Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 12 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo VII

Fevereiro de 1855.

 

VII

QUIEN NO AMA, NO VIVE

 

Pois não vês que se a luz do sol nascente Á rosa na manhã desabroxada,

Não illumina as folhas, desbotada

Fica n'aste pendente,

Sem perfume, sem vida abandonada?

Dize: então queres tu que a formosura

Que o Senhor estampou no teu semblante, Sem renome, sem gloria, passe obscura

No mundo em que radiante

Ostentar-se podia magestosa?

Queres vel-a abatida como a rosa

Que o sol não illumina?

Pois o que falta a essa fronte bella?

Oh! vais sabel-o:—O amor!

Que se anime e reviva á luz divina

E verás se depois alguem ao vel-a

Lhe nega o seu fulgor!

Ajuda 1850.