Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 67 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXXV

Tu nos meus braços reclinaste a frente,

E meigamente me disseste: Não!

Setembro de 1852.

 

XXXV

 

(Segunda)

 

De luz, de encanto, de alegria infinda,

Aquelle rosto seductor esplende,

Brilha a ventura em sua face linda,

E vivo fogo o seu olhar accende!

Como a existencia para nós é bella

Entre a verdura d'esta amena estancia!

Aqui suspira a viração singela,

E esparge a rosa virginal fragrancia.

Livres, immunes neste doce enleio,

Dos gratos dias do saudoso abril,

Ouvir das aves o infantil gorgeio,

Gosar da sombra do enredado til...

Ella a meu lado, sobre os meus cravando, Aquelles olhos cuja densa rama,

Agora occulta, logo vai deixando,

Brilhar o fogo da traidora chamma!

Se entro no baile onde o prazer se agita,

Eil-a, a formosa, no veloz passar,

Louca os seus olhos nos meus olhos fita, E mil affectos me traduz no olhar!

De luz, de encanto, de alegria infinda,

Aquelle rosto seductor esplende;

Brilha a ventura em sua face linda,

E o ceo no fogo que esse olhar accende!

Abril de 1854.