Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 28 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XIX

RECEIOS

 

Ás vezes, quando a teu lado

Comparo a expressão que outr'ora

Tinha teu rosto adorado,

Á sua expressão de agora...

Não sei que tristeza vaga

Que impressão sentida e funda,

O meu coração esmaga!

Oh! mas sei que a alma se inunda

De uma subita amargura,

De uma tal angustia e dor,

Que toda a luz da ventura,

Que me vem do teu amor

Toda com ella se apaga!

Loucuras serão, delirio

D'este ardente imaginar;

Serão, sim; mas o martyrio,

Com que me sinto acabar,

Só tem poder tua mão

Para de todo o findar

Neste oppresso coração!

Setembro de 1855.