Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 7 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo IV

Quando for aos clarões da alvorada

O perfume das plantas mais brando,

Quando as aves voarem em bando,

E cantarem ditosas no val;

Quando as aguas correrem mais vivas,

Pelo verde declivio do monte,

Quando as rosas erguerem a fronte

Animadas de um sopro vital...

Que saudade! ai que funda saudade

Has de ter d'esse tempo encantado,

Em que bella e feliz a meu lado

Viste as pompas da terra e dos ceos!

Quando a aurora era a pura alegria,

Uma vaga saudade o sol posto,

Quando meigo sorria teu rosto

Se eu fitava meus olhos nos teus!

.................................

Vaes partir! cada instante que passa

Aproxima o adeus derradeiro,

Para mim neste mundo o primeiro

Que teus olhos proferem aos meus!

Vaes partir! nessas morbidas palpebras,

Treme agora uma lagrima anciosa,

Já deslisa na face formosa,

Já teus labios me dizem adeus!

Abril de 1855.

 

IV