Versos de Bulhão Pato
Capítulo IV
Quando for aos clarões da alvorada
O perfume das plantas mais brando,
Quando as aves voarem em bando,
E cantarem ditosas no val;
Quando as aguas correrem mais vivas,
Pelo verde declivio do monte,
Quando as rosas erguerem a fronte
Animadas de um sopro vital...
Que saudade! ai que funda saudade
Has de ter d'esse tempo encantado,
Em que bella e feliz a meu lado
Viste as pompas da terra e dos ceos!
Quando a aurora era a pura alegria,
Uma vaga saudade o sol posto,
Quando meigo sorria teu rosto
Se eu fitava meus olhos nos teus!
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Vaes partir! cada instante que passa
Aproxima o adeus derradeiro,
Para mim neste mundo o primeiro
Que teus olhos proferem aos meus!
Vaes partir! nessas morbidas palpebras,
Treme agora uma lagrima anciosa,
Já deslisa na face formosa,
Já teus labios me dizem adeus!
Abril de 1855.