Versos de Bulhão Pato
Capítulo XXX
Chamma que ás vezes traidora,
Se occulta na sombra escura,
Á espera que chegue um'hora,
Hora de morte ou ventura!,
Em que possa deslumbrar,
Com mais fogo e com mais vida,
O desvairado que ousar,
Miral-a sem recear,
Pela ver assim sumida!
Terminou?... e eu que julgava
Cobrir-me de eterna gloria,
Quando tanto me esmerava
Na minha copia ideal!
Agora que na memoria,
(Ou antes no coração)
Tenho vivo o original,
Vejo bem que não ha mão,
Por mais que saiba pintar,
Capaz de estampar na tela
A expressão graciosa e bella
D'essa face, e d'esse olhar!
Abril de 1859.