Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 58 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXX

Chamma que ás vezes traidora,

Se occulta na sombra escura,

Á espera que chegue um'hora,

Hora de morte ou ventura!,

Em que possa deslumbrar,

Com mais fogo e com mais vida,

O desvairado que ousar,

Miral-a sem recear,

Pela ver assim sumida!

Terminou?... e eu que julgava

Cobrir-me de eterna gloria,

Quando tanto me esmerava

Na minha copia ideal!

Agora que na memoria,

(Ou antes no coração)

Tenho vivo o original,

Vejo bem que não ha mão,

Por mais que saiba pintar,

Capaz de estampar na tela

A expressão graciosa e bella

D'essa face, e d'esse olhar!

Abril de 1859.

 

XXX