Versos de Bulhão Pato
Capítulo XXXVI
(Terceira)
Lembras-te, Elisa, quando a face pallida, Da casta lua despontou no ceo,
E d'entre a balsa suspirada, e languida,
Mavioso canto o rouxinol rompeu?
Naquella noite em que o perfume vívido
De mato agreste rescendia no ar,
Em que as estrellas fulguravam timidas
Nas doidas ondas do ceruleo mar!
Lembras-te, dize, quando tu, mirando-me, Com todo o fogo de infantil paixão,
Em voz sumida murmuravas: Amo-te! E me apertavas docemente a mão!
E que eu perdido de ventura olhando-te
Da meiga lua ao divinal fulgor,
Teu rosto de anjo contemplava estatico,
Candida pompa de inspirado amor!
Nesse momento fervorosa supplica
Do intimo d´alma murmuraste a Deus,
Que amor, que encanto nos teus olhos humidos,