Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 68 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXXVI

 

(Terceira)

 

Lembras-te, Elisa, quando a face pallida, Da casta lua despontou no ceo,

E d'entre a balsa suspirada, e languida,

Mavioso canto o rouxinol rompeu?

Naquella noite em que o perfume vívido

De mato agreste rescendia no ar,

Em que as estrellas fulguravam timidas

Nas doidas ondas do ceruleo mar!

Lembras-te, dize, quando tu, mirando-me, Com todo o fogo de infantil paixão,

Em voz sumida murmuravas: Amo-te! E me apertavas docemente a mão!

E que eu perdido de ventura olhando-te

Da meiga lua ao divinal fulgor,

Teu rosto de anjo contemplava estatico,

Candida pompa de inspirado amor!

Nesse momento fervorosa supplica

Do intimo d´alma murmuraste a Deus,

Que amor, que encanto nos teus olhos humidos,