Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 87 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XLVIII

O Bom Deus que proteje a innocencia,

De quem são nossos cantos de amor;

Desherdada é sómente a existencia,

Do infeliz que descrê do Senhor!

Dos thesouros de affecto que encerra

Entre vós maternal coração,

Quem vos faz a nós orphãos na terra,

Repartir d'esse affecto um quinhão?

O bom Deus que proteje a innocencia,

De quem são nossos cantos de amor;

Desherdada é sómente a existencia,

Do infeliz que descrê do Senhor!

E esse affecto ideal que illumina

O existir de um reflexo do ceo,

Que a soffrer e que a amar nos ensina,

Quem no peito materno o accendeu?

O Bom Deus que proteje a innocencia,

De quem são nossos cantos de amor;

Desherdada é sómente a existencia,

Do infeliz que descrê do Senhor!

Mas nós crêmos, sentimos, amâmos,

A Deus grande na terra e nos ceos,

E do intimo da alma exclamâmos:

Gloria a Deus! Gloria a Deus! Gloria a Deus!

1850.

 

XLVIII