Versos de Bulhão Pato
Capítulo XXI
Ai! nesse instante do ceo,
Que á terra breve fugíra,
Que a elle inteiro volveu!
No horisonte estremeciam,
Ebrias de amor as estrellas,
E teus olhos se fitavam
Na luz scintillante d'ellas;
É que no ceo procuravam
O eterno d'aquelle instante
Que na terra presentiam
Que passaria inconstante.
O alvor da nascente aurora,
Que no horisonte assomava,
Das estrellas desmaiava
A viva luz, e inda agora,
Tenho em minh'alma, querida,
A expressão com que me olhaste
Apontando para ella!
É que essa aurora tão bella
Não brilhava mais na vida!
Janeiro de 1849.