Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 30 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXI

Ai! nesse instante do ceo,

Que á terra breve fugíra,

Que a elle inteiro volveu!

No horisonte estremeciam,

Ebrias de amor as estrellas,

E teus olhos se fitavam

Na luz scintillante d'ellas;

É que no ceo procuravam

O eterno d'aquelle instante

Que na terra presentiam

Que passaria inconstante.

O alvor da nascente aurora,

Que no horisonte assomava,

Das estrellas desmaiava

A viva luz, e inda agora,

Tenho em minh'alma, querida,

A expressão com que me olhaste

Apontando para ella!

É que essa aurora tão bella

Não brilhava mais na vida!

Janeiro de 1849.

 

XXI