Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 4 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo II

FELIZ DE AMOR!

 

Não sabes que ao ver-te triste,

E pensativa a meu lado,

O rosto na mão firmado.

E os olhos postos no chão,

Calado, ancioso, anhelante,

Quero ler no teu semblante

A causa da dôr constante

Que te opprime o coração?

Pois não basta o meu amor

Para te dar a ventura?

Responde: quando a luz pura

Do sol vem beijar a flor,

Não lhe accende mais a côr?

Não lhe dá mais formosura?

Agora, quando se inflamma

Em teu peito aquella chamma,

Á qual tudo se illumina

De viva, encantada luz,

Dize: é quando, minha vida,

Pallida, triste, abatida,

A tua fronte se inclina,

E melancolica sombra,

De mal contida amargura

Nos teus olhos se traduz?!