Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 86 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XLVII

HYMNO DA INFANCIA DESVALIDA

 

Desherdados no berço de heranças,

Desvalidos dos braços de mãe,

Quem nos cérca o viver de esperanças,

Nos educa, nos veste, e mantem?

CORO

O Bom Deus que proteje a innocencia,

De quem são nossos cantos de amor;

Desherdada é sómente a existencia,

Do infeliz que descrê do Senhor!

Onde o bem? Onde o mal? nós no mundo Como iremos a vida encontrar?

Neste valle enredado e profundo

Quem nos ha de o caminho apontar?

O Bom Deus que proteje a innocencia,

De quem são nossos cantos de amor;

Desherdada é sómente a existencia,

Do infeliz que descrê do Senhor!

Quem virá ser-nos pae na orphandade?

Consolar nossos dias de dor?

Circundar-nos depois noutra edade,

De delicias, de sonhos, de amor?