Versos de Bulhão Pato
Capítulo VI
Agitado e febril, o terno amante,
Entre os braços comprime esse que dorme Agora ao lado seu. Subito acorda
Á suave impressão do meigo abraço
O esposo que se julga idolatrado,
Até nos sonhos da adorada esposa!
VI
Sobre o seu coração com quanto affecto
Reclina aquella fronte encantadora!
Com quanto afan procura ouvir as frases, Que de seus labios solta entrecortadas!
Mas.... que ouviu? Santo Deus! Nesse momento, Azo, o altivo senhor, estremecêra
Como tendo escutado a voz do archanjo! Oh! deve estremecer, porque a sentença, A sentença fatal que os seus ouvidos
Acabam de escutar, vai despenhal-o
Para sempre no abismo da desgraça!
O nome que ella em sonhos proferíra,
Que soára tremendo como a vaga,
Quando arremeça aos concavos rochedos A debil prancha que sustenta o naufrago, Esse nome qual foi? O nome de Hugo;
Hugo, o filho da pobre e linda Branca,
Que o principe illudiu, e sem piedade
Depois abandonou! Hugo, seu filho,
Fructo innocente de um amor culpado!
VII
Azo arranca o punhal, mas pára olhando-a! Quem podera immolar um ser tão bello?! Oh! ninguem! Apesar do negro crime,
Da nefanda traição, faltam-lhe as forças,