Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 39 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo VI

Agitado e febril, o terno amante,

Entre os braços comprime esse que dorme Agora ao lado seu. Subito acorda

Á suave impressão do meigo abraço

O esposo que se julga idolatrado,

Até nos sonhos da adorada esposa!

VI

Sobre o seu coração com quanto affecto

Reclina aquella fronte encantadora!

Com quanto afan procura ouvir as frases, Que de seus labios solta entrecortadas!

Mas.... que ouviu? Santo Deus! Nesse momento, Azo, o altivo senhor, estremecêra

Como tendo escutado a voz do archanjo! Oh! deve estremecer, porque a sentença, A sentença fatal que os seus ouvidos

Acabam de escutar, vai despenhal-o

Para sempre no abismo da desgraça!

O nome que ella em sonhos proferíra,

Que soára tremendo como a vaga,

Quando arremeça aos concavos rochedos A debil prancha que sustenta o naufrago, Esse nome qual foi? O nome de Hugo;

Hugo, o filho da pobre e linda Branca,

Que o principe illudiu, e sem piedade

Depois abandonou! Hugo, seu filho,

Fructo innocente de um amor culpado!

VII

Azo arranca o punhal, mas pára olhando-a! Quem podera immolar um ser tão bello?! Oh! ninguem! Apesar do negro crime,

Da nefanda traição, faltam-lhe as forças,