Versos de Bulhão Pato
Num Album
Venham ver este retrato,
E respondam se o pintor,
Que desenhasse melhor,
O tirava mais exacto.
Eil-a! saltando da tela,
Viva, inteira, palpitante!
Pallido um pouco o semblante,
A boca graciosa e bella,
Quando o sorriso a desflora,
É como a rosa da aurora
Abrindo ao sopro de abril!
É mais! é ver num momento,
Quanto pode o pensamento
Sonhar de casto e gentil!
O cabello ondado e fino,
Negro como a noite escura,
Cai no collo alabastrino,
E faz resair a alvura
Do rosto fascinador.
Os olhos... oh! neste instante,
Tremo, hesito, não ha cor,
Não ha luz por mais brilhante,
Que possa emfim imitar
O reflexo scintillante
Da chamma do seu olhar!