Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 57 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Num Album

 

Venham ver este retrato,

E respondam se o pintor,

Que desenhasse melhor,

O tirava mais exacto.

Eil-a! saltando da tela,

Viva, inteira, palpitante!

Pallido um pouco o semblante,

A boca graciosa e bella,

Quando o sorriso a desflora,

É como a rosa da aurora

Abrindo ao sopro de abril!

É mais! é ver num momento,

Quanto pode o pensamento

Sonhar de casto e gentil!

O cabello ondado e fino,

Negro como a noite escura,

Cai no collo alabastrino,

E faz resair a alvura

Do rosto fascinador.

Os olhos... oh! neste instante,

Tremo, hesito, não ha cor,

Não ha luz por mais brilhante,

Que possa emfim imitar

O reflexo scintillante

Da chamma do seu olhar!