Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 79 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XLIII

A M.ME LOTTI

 

Na noite em que cedeu o producto do seu

beneficio a favor de um asylo de infancia

desvallida.

 

Canta oh! canta alma inspirada,

Que jámais na tua vida

Tiveste a fronte cingida

Dos loiros que hoje vais ter.

Canta: os prantos da orfandade,

Á tua voz seductora,

Se vão convertendo agora

Em sorrisos de prazer!

Oh! jámais em teus triumphos

Quando erguendo o rosto altivo,

A teus pés tinhas captivo

O poder da multidão,

Jámais sentiste no peito

Entre o rumor delirante,

Batter, como neste instante,

De enthusiasmo o coração!

Cada nota que desprendas

Terá um eco no empyreo,