Versos de Bulhão Pato
Capítulo XLIII
A M.ME LOTTI
Na noite em que cedeu o producto do seu
beneficio a favor de um asylo de infancia
desvallida.
Canta oh! canta alma inspirada,
Que jámais na tua vida
Tiveste a fronte cingida
Dos loiros que hoje vais ter.
Canta: os prantos da orfandade,
Á tua voz seductora,
Se vão convertendo agora
Em sorrisos de prazer!
Oh! jámais em teus triumphos
Quando erguendo o rosto altivo,
A teus pés tinhas captivo
O poder da multidão,
Jámais sentiste no peito
Entre o rumor delirante,
Batter, como neste instante,
De enthusiasmo o coração!
Cada nota que desprendas
Terá um eco no empyreo,