Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 55 de 94

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Versos de Bulhão Pato

A Folha Desbotada

 

 

Volve folha desbotada,

Outra vez á mão nevada

Que do tronco te ceifou,

Volve, e dize sem receio,

Que te apertei contra o ceio,

Que o meu olhar te adorou:

Vai discreta confidente,

Dize tudo quanto sente,

E calla o meu coração!

Vai, que a tua voz sentida,

Ha de ser por ella ouvida

Com ternura e compaixão.

Dize que ao ver um instante

Anuviado o seu semblante,

Pensativo o seu olhar,

De sobresalto e receio,

Sinto o coração no seio

De repente a palpitar!

Que a sonhei antes de vel-a,

Como bem fadada estrella,

Mensageira do Senhor!

Que ao vel-a a voz da consciencia

Disse: É esta na existencia

A tua estrella de amor!

De amor puro, intenso, ardente,