Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 76 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Se Coras Não Conto.

 

Tu queres que eu conte um sonho que tive Não sei se acordado, não sei se a dormir? Foi todo singelo, foi todo innocente:

Tu córas, sorriste, tens medo d'ouvir?

Não córes, escuta, não fujas de mim,

Que o sonho foi sonho de casta paixão:

Já crês, não duvídas, verás como é lindo O sonho innocente do meu coração:

Eu via em teus labios um meigo sorriso,

Em tens olhos negros um terno mirar,

Teu seio de neve a arfar docemente,

Sentia nas faces o teu respirar.

E tu não fallavas, mas eu entendia;

E tu não fallavas, mas eu bem ouvi!

Amor! na minh'alma a voz me dizia,

E um beijo na fronte não sei se o senti.

Já vês que o meu sonho foi sonho innocente; O resto eu te conto; como has de gostar! É todo singelo, de amores somente;

Verás que ao ouvil-o não has de córar.

Depois apertando teu corpo flexivel,

Cingindo teu collo no braço a tremer,