Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 22 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XVI

Nem ao menos uma estrella,

Brilhava serena e bella!

E eu caminhava em delirio

Sem força para acabar

A vida que era um martyrio!

A tão profunda amargura

Quem me podia arrancar,

Quem, senão um teu olhar?

Lá, nas sombras do horisonte,

Despontou por fim a luz,

A mesma que em tua fronte

Bella e placida reluz.

No peito afflicto e cançado

Senti dilatar-se então

Este oppresso coração;

O teu olhar adorado

A mim outra vez volveu,

Terno, meigo, apaixonado.

Perdoaste, anjo do ceo!

Abril de 1857.

 

XVI