Versos de Bulhão Pato
Capítulo VIII
Ao contemplal-a assim adormecida.
Nem a acorda sequer, mas por instantes
No seu rosto encantado crava os olhos.
Se de subito agora despertasse,
A infeliz nesse olhar sentíra a morte!
Pela fronte do principe traído,
Frio corre o suor, e á luz da lampada
Estremecem brilhando as grossas bagas. E ella dorme! Oh! mal sabe que os seus dias Nesse instante fatal foram contados!
VIII
Assim que o sol desponta no horisonte,
Azo corre a indagar pelos que o cercam,
E as derradeiras provas apparecem.
As aias da princeza, largo tempo
Conniventes no crime, revelaram
Quanto havia de occulto nesse drama.
Não tem que duvidar! Azo, escutando
A longa historia de tão negro crime,
Sente em ondas subir-lhe o sangue ás faces, Que de profunda cholera se inflammam.
IX
Na vasta sala do feudal palacio
O orgulhoso Senhor da casa d'Éste,
Sobre o purpureo throno está sentado.
Nobres, pagens, soldados o circundam,
Os olhos crava nos culpados ambos,
Ambos jovens e bellos. Duros ferros
Tem sujeitos os pulsos do mancebo,
Que fôra brutalmente desarmado
Por mercenarias mãos da nobre espada. Na presença de um pae é d'este modo