Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 40 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo VIII

Ao contemplal-a assim adormecida.

Nem a acorda sequer, mas por instantes

No seu rosto encantado crava os olhos.

Se de subito agora despertasse,

A infeliz nesse olhar sentíra a morte!

Pela fronte do principe traído,

Frio corre o suor, e á luz da lampada

Estremecem brilhando as grossas bagas. E ella dorme! Oh! mal sabe que os seus dias Nesse instante fatal foram contados!

VIII

Assim que o sol desponta no horisonte,

Azo corre a indagar pelos que o cercam,

E as derradeiras provas apparecem.

As aias da princeza, largo tempo

Conniventes no crime, revelaram

Quanto havia de occulto nesse drama.

Não tem que duvidar! Azo, escutando

A longa historia de tão negro crime,

Sente em ondas subir-lhe o sangue ás faces, Que de profunda cholera se inflammam.

IX

Na vasta sala do feudal palacio

O orgulhoso Senhor da casa d'Éste,

Sobre o purpureo throno está sentado.

Nobres, pagens, soldados o circundam,

Os olhos crava nos culpados ambos,

Ambos jovens e bellos. Duros ferros

Tem sujeitos os pulsos do mancebo,

Que fôra brutalmente desarmado

Por mercenarias mãos da nobre espada. Na presença de um pae é d'este modo