Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 13 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo VIII

AMANHÃ!

 

Resta um dia, mais um dia,

Algumas horas ainda

De amor, de ternura infinda!

Amanhã nos olhos teus,

Uma lagrima sentida;

Em teus labios, um adeus!

O instante da despedida

Tão perto está!... Minha vida,

Crava teus olhos nos meus,

Um sorriso, um beijo ainda,

Mais um'hora de ternura,

De amor, de alegria infinda

Antes d'esse longo adeus!

Adeus de tanta amargura!

Sabe Deus! oh! sabe Deus,

Quando outros dias virão,

Tão gratos ao coração!

Quando nessa face linda

Verei sorrir a ventura;

Mas agora um beijo ainda

Antes que chegue o momento

De soltar o extremo adeus!

Oh! tira do pensamento,

A hora da despedida;

Mais um instante de vida,

De delicia e gloria infinda!...

Amanhã!... ai! não te lembres

De tal dia de amargura!

Crava teus olhos nos meus;

Inda um'hora de ventura,

De amor, de alegria infinda

Sorrindo nos olhos teus:

Um beijo, mais outro ainda,

O derradeiro: oh! adeus!

Abril de 1857.