Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 41 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo X

Que deve, oh Christo, apresentar-se um filho?! Porém, Hugo infeliz, nesse momento,

Tem de ouvir a sentença incontrastavel

Dos labios paternaes, prestar ouvidos

Á triste narração do seu opprobrio!

E comtudo a expressão do nobre rosto,

A distincta altivez conserva ainda!

X

Pallida, sem alento e silenciosa,

Aguarda Parisina nesse instante

As palavras fataes. O seu destino

Quão rapido mudou! Ha pouco ainda,

D'aquelles olhos a celeste chamma

Pelos salões doirados espargia

A meiga seducção. Se nesses olhos

Visse alguem borbulhar uma só lagrima,

Mil cavalleiros da mais nobre estirpe,

Arrancando da espada, a vingariam!

Mas agora, infeliz! quantos a cercam,

Mal disfarçam no rosto carregado

A contida expressão do seu desprezo!

E elle, o amante adorado da sua alma,

Elle, oh Deus! que liberto por instantes,

Por instantes que fosse, a houvera salvo, Jaz preso ao lado seu em duros ferros!

Jaz ali, mas não vê que aquellas palpebras Onde outr'ora fugia a cor suave

Da terna violeta, convidando

A mil sequiosos, demorados beijos,

Se entumecem, velando a vista immovel

Das pupillas, nas quaes a dor intensa

Accumula uma lagrima apoz outra!

XI