Versos de Bulhão Pato
Capítulo IV
Oh! quem sente lavrar dentro do peito
O fogo da paixão com tanto imperio,
Não pensa na desgraça, nem se lembra
Da curta duração de taes enganos!
Ai! quantas vezes despertâmos antes
De saber que não volta o mago sonho!!
IV
Vão partir: vão deixar com passos lentos
O encantado logar que presenceára
O seu transporte em delirante crime.
Vão partir: e apesar dos mil protestos,
Da esperança que em breve hão de juntar-se, Dor profunda no peito lhes comprime
Agora o coração, como se fosse
Aquella a derradeira despedida.
Parisina, cravando os olhos languidos
No firmamento azul, treme, sentindo
Que aquelle ceo não pode perdoar-lhe.
Elle outra vez a cinge contra o peito;
Um suspiro, um adeus, inda outro beijo,
É forçoso partir, levando n'alma
Os amargos, crueis presentimentos,
Que de perto acompanham sempre o crime.
V
Tranquillo no seu leito solitario,
Hugo repousa, e pode sem receio
Livremente soltar o pensamento.
Porém ella descança a fronte pallida
Das fadigas do amor, junto do esposo.
Sonhando, em voz sumida solta um nome, E suppondo estreitar contra seu peito,