Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 38 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo IV

Oh! quem sente lavrar dentro do peito

O fogo da paixão com tanto imperio,

Não pensa na desgraça, nem se lembra

Da curta duração de taes enganos!

Ai! quantas vezes despertâmos antes

De saber que não volta o mago sonho!!

IV

Vão partir: vão deixar com passos lentos

O encantado logar que presenceára

O seu transporte em delirante crime.

Vão partir: e apesar dos mil protestos,

Da esperança que em breve hão de juntar-se, Dor profunda no peito lhes comprime

Agora o coração, como se fosse

Aquella a derradeira despedida.

Parisina, cravando os olhos languidos

No firmamento azul, treme, sentindo

Que aquelle ceo não pode perdoar-lhe.

Elle outra vez a cinge contra o peito;

Um suspiro, um adeus, inda outro beijo,

É forçoso partir, levando n'alma

Os amargos, crueis presentimentos,

Que de perto acompanham sempre o crime.

V

Tranquillo no seu leito solitario,

Hugo repousa, e pode sem receio

Livremente soltar o pensamento.

Porém ella descança a fronte pallida

Das fadigas do amor, junto do esposo.

Sonhando, em voz sumida solta um nome, E suppondo estreitar contra seu peito,