Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 88 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Gratidão e Saudade

 

 

(Recitada no Theatro)

 

De candidos sonhos, de luz, e de flores,

Cercada a existencia começa a sorrir;

Alegre o presente nos falla de amores,

De amores nos falla brilhante o porvir!

Depois no horisonte sereno, e risonho,

Carregam-se as sombras, perturba-se a luz, Esvae-se a ventura veloz como um sonho, Que apenas instantes na vida reluz!

Assim penetrando no mundo das artes,

Ao tímido lume de frouxo clarão,

Olhava, e só via por todas as partes,

A meiga esperança sorrindo em botão!

De lyrios e rosas grinalda fragrante,

Cuidei mais ainda: cuidei vêl-a ahi;

Nos braços a aperto, convulsa, anhelante, Aos labios a levo, na fronte a cingi!

Foi breve este sonho de amor, e de encanto; Acordo, e procuro debalde uma flor;

Inundam-se os olhos de angustia e de pranto,