Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 36 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Parisina

 

Imitação

 

I

É na hora, em que a voz bella e sentida

Do meigo rouxinol, entre a folhagem

Das balsas escondido, solta ao vento

A saudosa canção do fim do dia:

Hora solemne e grata em que os amantes Renovam mil protestos de ternura,

De constancia e d'amor; em que o susurro Da fresca viração vai confundir-se

Co'o murmurar da trepida corrente.

De cristalino orvalho borrifadas,

As vicejantes flores da campina

Mais vivo aroma espargem no ambiente.

Accendem-se no ceo milhões de estrellas, É mais escuro o azul á flor das vagas,

E a verdura do bosque é mais sombria.

Entre as trevas e a luz, o firmamento

Jaz velado por languido crepusculo,

Que rapido se esvai nos frouxos raios

Da lua, despontando no horisonte.