Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 70 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Ciumes do Passado

 

Quando teu rosto adorado,

Da luz do amor se illumina,

Resplandecente a meu lado,

Não sabes por que anuviado

O meu semblante se inclina?

Por que um amargo sorriso

Pelos meus labios deslisa,

Quando teus labios, Luiza,

Me proferem anhelantes,

Tantos protestos de amor!

É que minh'alma se opprime

Á lembrança do passado,

Em que já outro a teu lado

Escutou essas palavras,

Que me repetes agora

Cada vez com mais ardor;

E que esses mordidos beijos

Que me perdem de ventura,

Dados co'a mesma ternura

Já perderam de desejos

Neste mundo outro tambem!

E tu não sabes, querida,

Os zelos que me devoram,

Á lembrança que na vida,

Já quizeste a mais alguem?!

Janeiro de 1851.