Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 93 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo LI

Com a fronte anuviada de saudades:

Ai, de nós! como os bravos que morreram Folgariam ditosos nesta hora!

Julho de 1861.

 

LI

NUM ALBUM

 

Onde o meu amigo e joven poeta, D. Thomaz de

Mello, tinha escripto uns versos.

 

No reverso da folha onde escrevo,

Um cantor jovenil pulsa a lyra,

E magoado, e sentido, suspira,

Com saudosas memorias d'amor!

Na cadencia da lettra singela,

Qual murmurio de branda corrente,

Transparece sua alma innocente,

Toda vida, perfume, e calor!

Variegado, risonho, brilhante,

Inda agora na flor da innocencia

Vendo o mundo, sorri-lhe a existencia

Atravez do seu prisma gentil:

Cuida extinctas ficções encantadas,

Crê perdido o seu sonho d'amores,

Julga vêr desbotadas as flores

Que adornavam sua harpa infantil!...

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