Versos de Bulhão Pato
Capítulo LI
Com a fronte anuviada de saudades:
Ai, de nós! como os bravos que morreram Folgariam ditosos nesta hora!
Julho de 1861.
LI
NUM ALBUM
Onde o meu amigo e joven poeta, D. Thomaz de
Mello, tinha escripto uns versos.
No reverso da folha onde escrevo,
Um cantor jovenil pulsa a lyra,
E magoado, e sentido, suspira,
Com saudosas memorias d'amor!
Na cadencia da lettra singela,
Qual murmurio de branda corrente,
Transparece sua alma innocente,
Toda vida, perfume, e calor!
Variegado, risonho, brilhante,
Inda agora na flor da innocencia
Vendo o mundo, sorri-lhe a existencia
Atravez do seu prisma gentil:
Cuida extinctas ficções encantadas,
Crê perdido o seu sonho d'amores,
Julga vêr desbotadas as flores
Que adornavam sua harpa infantil!...
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