Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 65 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXXIV

Sentia-me sorrir; porque na hora,

Que nol-a desse a sorte,

Brilhava para nós serena e pura

Essa immortal aurora,

Que reluz nos umbraes da sepultura!

Iriam nossas almas,

Já livres de martirio,

Colher as flores e mimosas palmas

Que vicejam no empyreo!

Tudo em fim acabou! a noite escura,

Envolvera em seu manto aquelle dia!

E de tanta poesia

Que resta para nós? uma saudade,

E a esperança que um dia essa ventura

Nossa outra vez será na eternidade!

Agosto de 1858.

 

XXXIV