Versos de Bulhão Pato
Capítulo XXXIV
Sentia-me sorrir; porque na hora,
Que nol-a desse a sorte,
Brilhava para nós serena e pura
Essa immortal aurora,
Que reluz nos umbraes da sepultura!
Iriam nossas almas,
Já livres de martirio,
Colher as flores e mimosas palmas
Que vicejam no empyreo!
Tudo em fim acabou! a noite escura,
Envolvera em seu manto aquelle dia!
E de tanta poesia
Que resta para nós? uma saudade,
E a esperança que um dia essa ventura
Nossa outra vez será na eternidade!
Agosto de 1858.