Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 74 de 94

Páginas do PDF

Versos de Bulhão Pato

Num Album

 

Não vês tu como inconstante

Num instante,

Ruge o sul, e turba o ceo,

E que o mar, quedo, azulado,

Brame irado,

Sacudindo alto escarceo?

Não tens visto na manhã,

Flor louçã,

Junto ás aguas rebentar,

E á tarde, murcha, pendida,

Já sem vida,

Sem perfume, a desfolhar?

Pois então queres, amiga,

Que eu te diga

Que o amor não é assim?

Quando tudo empallidece,

Se emmurchece,

Se desbota, e morre emfim?!

Essas illusões doiradas,

Encantadas,

Do primeiro albor da vida,

São como a rosa louçã,

Da manhã,

Á tarde n'haste pendida;