Versos de Bulhão Pato
Capítulo XV
Oh! Deus! o que não dizia
A bella sem coração!
Setembro de 1856.
XV
PERDOASTE!
Anjo offendido; outra vez,
Volve teus olhos do ceo
Áquelle que te offendeu!
Vel-o abatido a teus pés,
Anjo esquece, e compassivo,
Num sorriso de perdão,
Torna a dar-lhe o coração.
A cada instante mais vivo
O remorso cresce em mim;
Perdoa, oh! perdoa, emfim!
Offendi-te num momento
De terrivel desvario;
Era o ciume violento!
O rubor da castidade
A tua face affrontava,
E eu cego, eu perdido, ousava
Proseguir! oh! por piedade,
Por piedade, anjo do ceo,
Perdoa a quem te offendeu!
Em breve a razão voltou,
E com ella essa anciedade
Do desgraçado que ousou
Num momento de loucura
Offender a divindade.
Nas trevas da noite escura,