Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 21 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XV

Oh! Deus! o que não dizia

A bella sem coração!

Setembro de 1856.

 

XV

PERDOASTE!

 

Anjo offendido; outra vez,

Volve teus olhos do ceo

Áquelle que te offendeu!

Vel-o abatido a teus pés,

Anjo esquece, e compassivo,

Num sorriso de perdão,

Torna a dar-lhe o coração.

A cada instante mais vivo

O remorso cresce em mim;

Perdoa, oh! perdoa, emfim!

Offendi-te num momento

De terrivel desvario;

Era o ciume violento!

O rubor da castidade

A tua face affrontava,

E eu cego, eu perdido, ousava

Proseguir! oh! por piedade,

Por piedade, anjo do ceo,

Perdoa a quem te offendeu!

Em breve a razão voltou,

E com ella essa anciedade

Do desgraçado que ousou

Num momento de loucura

Offender a divindade.

Nas trevas da noite escura,