Versos de Bulhão Pato
Capítulo XXV
Nada mais? houve um som, um grito horrivel, Estridulo, selvagem, semelhante
Ao da mãe, que de um golpe repentino
Vê cair a seus pés sem vida o filho!
O grito de quem foi, de onde partiu?
De um seio feminil, e mais terriveis
Não os solta jámais o desespero!
XIX
Hugo jaz no sepulchro, e Parisina
Dissera acaso eterno adeus ao mundo,
Refugiando sua alma atribulada
No silencio da cella de um convento?
O veneno, o punhal talvez seriam
O severo castigo do seu crime?
Ou succumbira emfim nesse momento,
Em que vira brandir o duro ferro
Sobre a adorada fronte? compassiva
A mão da Providencia permittiu,
Que ao quebrar-se em seu peito confrangido De angustia o coração, se terminasse
Tambem com elle a fragil existencia?
Não o soube ninguem. Aquella vida,
Ai! de mim! acabára neste mundo
Pela dor como a vida principia!
Setembro de 1856.