Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 48 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXV

Nada mais? houve um som, um grito horrivel, Estridulo, selvagem, semelhante

Ao da mãe, que de um golpe repentino

Vê cair a seus pés sem vida o filho!

O grito de quem foi, de onde partiu?

De um seio feminil, e mais terriveis

Não os solta jámais o desespero!

XIX

Hugo jaz no sepulchro, e Parisina

Dissera acaso eterno adeus ao mundo,

Refugiando sua alma atribulada

No silencio da cella de um convento?

O veneno, o punhal talvez seriam

O severo castigo do seu crime?

Ou succumbira emfim nesse momento,

Em que vira brandir o duro ferro

Sobre a adorada fronte? compassiva

A mão da Providencia permittiu,

Que ao quebrar-se em seu peito confrangido De angustia o coração, se terminasse

Tambem com elle a fragil existencia?

Não o soube ninguem. Aquella vida,

Ai! de mim! acabára neste mundo

Pela dor como a vida principia!

Setembro de 1856.

 

XXV