Versos de Bulhão Pato
Capítulo XVI
É um'hora encantada a que precede
O derradeiro adeus do sol explendido!
Na pompa de seus raios fulgurantes,
Parece escarnecer da scena horrivel
Que se aproxima de seu termo agora.
Curvado aos pés do monge, em voz sumida Hugo profere a derradeira prece,
Prece contricta, humilde, fervorosa.
Nessa fronte inclinada e pensativa
Bate um raio de luz, porém mais vivo,
Mais brilhante reflecte sobre a lamina,
Que proxima da victima responde
Por um forte, mas lugubre, reflexo.
Como est'hora suprema é dolorosa!
O crime fôra atroz, justo o castigo;
Mas comtudo o supplicio nesse instante
Faz gelar de terror quem o contempla!
XVII
As orações extremas acabaram;
O filho ao pae traidor, o audaz amante,
Tudo emfim confessou. Rapidas tocam
As horas no seu ultimo momento.
As ondadas madeichas de cabello
Já cairam no chão. O nobre manto
Bordado pelas mãos de Parisina,
Não deve acompanhal-o á sepultura.
Tentam vendar-lhe o rosto, não consente Esta final affronta. O seu orgulho,
Comprimido no mais intimo d'alma
Pela expressão de fria indifferença,
Acorda nesse instante, repellindo
A mão do algoz que vem cobrir-lhe os olhos.