Versos de Bulhão Pato
Capítulo XXXI
E não te diz que a ventura
Se não encontra no mundo?!
Uma vez, sereno o ceo,
Como os teus olhos brilhava!
Airosa ante mim passava
Essa forma, esse ideal
Que não pode ser mortal!
Atravez do raro veo,
Que o semblante te encobria,
Uma lagrima descia;
Era de prazer ou dor!
Oh! de angustia parecia,
Pelo agitado tremor
Com que o peito te battia!
O mundo não sei se a via,
Porque a meu lado exclamava:
«Lá chega, lá passa, é ella,
Que é tão feliz como é bella!»
Mas quem sabe se acertava?!
Porque a ventura real
Se existe, é só no momento
Em que livre o pensamento
Se eleva ao mundo ideal!
E noss'alma a outra unida,
Foje á terra, se illumina
De um raio de luz divina,
E se esquece emfim da vida!
Julho de 1859.