Versos de Bulhão Pato

Raimundo António de Bulhão Pato · Capítulo 60 de 94

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Versos de Bulhão Pato

Capítulo XXXI

E não te diz que a ventura

Se não encontra no mundo?!

Uma vez, sereno o ceo,

Como os teus olhos brilhava!

Airosa ante mim passava

Essa forma, esse ideal

Que não pode ser mortal!

Atravez do raro veo,

Que o semblante te encobria,

Uma lagrima descia;

Era de prazer ou dor!

Oh! de angustia parecia,

Pelo agitado tremor

Com que o peito te battia!

O mundo não sei se a via,

Porque a meu lado exclamava:

«Lá chega, lá passa, é ella,

Que é tão feliz como é bella!»

Mas quem sabe se acertava?!

Porque a ventura real

Se existe, é só no momento

Em que livre o pensamento

Se eleva ao mundo ideal!

E noss'alma a outra unida,

Foje á terra, se illumina

De um raio de luz divina,

E se esquece emfim da vida!

Julho de 1859.

 

XXXI