Tenda dos Milagres

Jorge Amado · Capítulo 47 de 77

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Tenda dos Milagres

Capítulo 5

Autor de vários livros, nos quais fez o levantamento do folclore e dos costumes baianos e a análise dos problemas raciais, traduzido em diversas línguas, tornou-se mundialmente famoso, sobretudo nos Estados Unidos onde suas obras foram adotadas na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, por indicação do célebre professor James D. Levenson, detentor do Prêmio Nobel, que se confessa discípulo de Pedro Archanjo.

Faleceu em Salvador, em 1943, aos setenta e cinco anos de idade, cercado do respeito geral e da admiração dos doutos. Autoridades, professores das Faculdades, escritores e poetas acompanharam seu enterro.

Orgulho da Bahia e do Brasil, cujo nome elevou no estrangeiro, Pedro Archanjo nos ensina, através seu exemplo, como um homem nascido na pobreza, em meio hostil à cultura, pode elevar-se aos pináculos do saber e ocupar posto de destaque na sociedade.

Quando festejamos o centenário desse magnífico paladino da ciência e das letras, todos os baianos se reúnem para reverenciar sua memória gloriosa, atendendo à convocação do “Jornal da Cidade”, que leva a cabo mais uma campanha memorável e patriótica.

A Aguardente Crocodilo não podia estar ausente dessa magna celebração, pois ela própria já é parte integrante do folclore baiano a cujo estudo o genial patrício dedicou sua existência. Dessa louvada Aguardente não nasceu a figura do Gaiato Crocodilo que faz as delícias da criançada nos anúncios das Rádios e da Televisão, verdadeira criação do moderno folclore, com seus versinhos e sua musiquinha?

O Gaiato Crocodilo organizou um grande concurso nas escolas primárias de Salvador: as queridas professoras vão contar, nas salas de aula, a história de Pedro Archanjo e cada criança, do primeiro ao quinto grau, escreverá sua impressão, concorrendo a uma das cinco bolsas de estudo para todo o curso secundário, a serem utilizadas pelos vencedores em qualquer dos ginásios particulares de nossa Capital, prêmios oferecidos pela Aguardente Crocodilo.

Junto com a meninada das Escolas Públicas de Salvador, o Gaiato Crocodilo grita: “Viva o imortal Pedro Archanjo !“

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PRELEÇÃO DA PROFESSORA DIDA QUEIROZ AOS ALUNOS DO TERCEIRO GRAU, TURMA DA MANHÃ, NA “ESCOLA PÚBLICA JORNALISTA GIOVANNI GUIMARÃES” SITUADA NO RIO VERMELHO.

Pedro Archanjo é uma glória da Bahia, do Brasil e do Mundo. Nasceu há cem anos e por isso o “Jornal da Cidade” e a Aguardente Crocodilo estão festejando seu centenário, realizando concurso entre os estudantes e distribuindo valiosos prêmios, como sejam: viagens aos Estados Unidos e ao Rio de Janeiro, aparelhos de televisão e de rádio, livros e outros. Para os alunos das escolas primárias foram reservadas cinco bolsas de estudo para o curso secundário completo, em qualquer estabelecimento de ensino de nossa Capital. Com os preços de hora da morte que os colégios estão cobrando, trata-se de um prêmio e tanto.

O pai de Pedro Archanjo foi general na Guerra do Paraguai e morreu lutando contra o tirano Solano Lopez que atacou nossa Pátria. O pequenino Pedro ficou órfão e pobre mas não desanimou. Não podendo frequentar a escola, embarcou num navio cargueiro e conseguiu estudar ínguas, tornando-se um poliglota que é a pessoa capaz de falar outras línguas além do português. Fez vestibular para a Faculdade de Medicina, onde, após colar grau, foi professor durante mais de trinta anos.