Storytelling: Histórias que deixam marcas

Adilson Xavier · Capítulo 9 de 85

Páginas do PDF

Storytelling: Histórias que deixam marcas

Legião de super-heróis

Deixando de lado o machismo, encontramos a questão da raça. Que outro povo se intitularia “escolhido” se não o povo que primeiro contou a história?

Não é de se estranhar também que o paraíso seja descrito na Bíblia como a nova Jerusalém celeste, cidade durante algum tempo considerada como o centro do planeta. A geografia e a situação sociopolítica da época de Cristo impregnam as narrativas bíblicas, situando-as em nossos escaninhos mentais reservados ao factual e dando-lhes um valioso revestimento de estidade (aspecto que abordaremos mais adiante).

 

Legião de super-heróis

 

O que há de comum entre Super-Homem, Batman, Capitão América, Homem-Aranha, Hulk, Homem de Ferro, Thor, X-Men e o Quarteto Fantástico?

Todos surgiram na Golden Age dos quadrinhos, entre 1933 e 1963. Todos foram gerados em um momento de insegurança mundial, sob o impacto da Segunda Grande Guerra. E todos foram criados por judeus.

Joe Shuster e Jerry Siegel nos deram o Super-Homem, que alguns analistas consideram uma referência a Moisés: o menino abandonado à própria sorte em uma terra estranha, salvo e adotado por acaso, que se descobre com poderes especiais, tornando-se responsável por livrar seu povo de vários perigos, e revelando-se um grande líder.

Bob Kane, ainda que sob acusações de omitida coautoria, é o pai do Batman. Da luminosidade interplanetária para as sombras da caverna, do personagem de aço com visão de raio-X para o aristocrata que deposita sua força na astúcia, na potência do batmóvel, nos recursos tecnológicos instalados em seu esconderijo e no sempre surpreendente cinto de utilidades.

E o brilhante Stan Lee encarregou-se de todos os demais, desde o óbvio Capitão América, com seu imbatível escudo (qualquer semelhança com a participação dos Estados Unidos na guerra contra o nazifascismo não é mera coincidência), até o mitológico Thor, com seu inseparável martelo. Passando pelos beneficiados por interferências científicas acidentais, como Homem-Aranha e Hulk, e pelo turbinado Homem de Ferro, que habilmente conseguiu escapar de comparações diretas com o homem de aço kryptoniano. Fecham sua galeria de criações memoráveis os primeiros super-heróis coletivos: X-Men e Quarteto Fantástico.

Por que todos esses criativos seriam judeus? Porque estavam especialmente pressionados pela perseguição hitleriana? Digamos tratar-se de um evidente aspecto motivacional, mas não é a melhor resposta.

Olhando para o grande quadro, desde a Bíblia até os dias de hoje, não me ocorre nada mais honesto do que simplesmente reconhecer que os judeus são “os melhores storytellers do planeta”.