Storytelling: Histórias que deixam marcas
Uma ideia que veio correndo
O movimento melhorou um pouco, o relacionamento com os japoneses foi esfriando, e o trio da Blue Ribbon teve tempo para se capacitar a produzir seus próprios calçados.
Uma ideia que veio correndo
Escolher o nome da deusa grega da vitória para sua nova empresa deixava claro onde os Blue Ribbon queriam chegar.
Pediram a uma estudante de Portland, Carolyn Davidson, para desenhar uma marca, e ela apresentou uma espécie de pincelada gestual, larga na curva e fina nas pontas, que poderia ser associada a um bumerangue, ou a uma lua semicrescente arremessada por alguma potência celestial, algo que inequivocamente remetia a movimento. Aquele traço abstrato recebeu o nome de Swoosh e representava o momento em que um corredor ultrapassa o outro. Claro que nenhum consumidor entenderia seu significado sem ajuda, mas era moderno, ousado e, depois de explicado, continha uma micronarrativa. Em uma empresa comandada por apaixonados pela corrida, fazia todo sentido.
Tinham um nome e uma marca, faltava um diferencial de produto, problema resolvido por uma máquina de waffle. Observando a forma de colmeia dos waffles, Bill Bowerman imaginou o que aconteceria em termos de redução de impacto se as solas dos tênis fossem daquele jeito. Substituiu a massa de waffle por borracha, ligou a máquina, e deu o grande passo da empresa que revolucionaria o mercado de calçados e roupas esportivas. O novo tênis Nike estreou em 1972 sendo distribuído em uma competição a alguns corredores para que o experimentassem. Foi aprovado com louvor.
O endosso de um grande atleta poderia ser o alavancador de que precisavam para acelerar o passo, e Steve Prefontaine parecia predestinado a essa missão. Era um famoso corredor olímpico de média e longa distâncias, também do Oregon, treinado por Bowerman, e que nunca havia perdido uma única corrida em sua pista de origem.
Com Nike nos pés, Prefontaine fez a marca subir em vários pódios, ser aplaudida e admirada. Até que um trágico acidente automobilístico o tirou de cena prematuramente, aos 24 anos de idade, em 1975.
Protagonistas
Em vez de desenhar seus protagonistas, como Walt Disney, ou tornar-se o principal protagonista de sua marca, como Steve Jobs, Phil Knight e Bill Bowerman preferiram patrocinar as estrelas que os levariam às alturas. Era ótimo para a marca, e combinava perfeitamente com a paixão de ambos pelo esporte.