Storytelling: Histórias que deixam marcas
Narratologia
Os seres humanos e, consequentemente, os grandes personagens combinam diferentes arquétipos em personalidades que elevam seu potencial de encantamento à medida que se apresentam multifacetadas, complexas e com alguma dose de contradição.
Narratologia
Da filosofia para a psicologia. Da psicologia para a narratologia. Tudo está interligado.
Quando Jung afirma que “nos mitos e contos de fada, como no sonho, a alma fala de si mesma e os arquétipos se revelam em sua combinação natural, como formação, transformação, eterna recriação do sentido eterno”, ele desemboca diretamente na ciência do storytelling batizada como narratologia.
A ele se seguiram Joseph Campbell, grande estudioso da mitologia universal, que reuniu protagonistas do folclore, dos contos de fada e das religiões como manifestações de diferentes camadas de uma mesma história; Vladimir Propp, acadêmico estruturalista russo que, dissecando centenas de contos populares, identificou neles 31 funções, a partir de seu núcleo e elementos narrativos comuns; e Christopher Vogler, professor, consultor e roteirista de Hollywood, influenciado por Propp, que nos acolhe em seu website, dizendo:
“Bem-vindo ao mundo de The Writer’s Journey e Storytech Literary Consulting. Este site
é dedicado a contar melhores histórias e descobrir a sabedoria dos antigos mitos e
lendas.”
Enquanto Campbel considera os arquétipos praticamente como parte da biologia humana e os define a partir do “herói” em sua jornada, Propp se empenha em descobrir um padrão arquetípico de comportamento nas estruturas de narrativa popular, e Vogler os compreende como modelos utilizados pelos personagens segundo as necessidades de progressão de cada história.
Em poucas palavras, o pensamento original de Platão foi se encorpando ao longo do tempo, e teve sua força alavancada com a publicação de Os arquétipos e o inconsciente coletivo, de Carl Jung. Revelou ainda os significados mais profundos do storytelling. Daquele ponto para os domínios do marketing, planejamento estratégico e criação publicitária foi um pulo. Bastou Margaret Mark e Carol S. Pearson lançarem seu livro O herói e o fora da lei e as portas das agências de publicidade, branding e afins se abriram imediatamente para o assunto.