Storytelling: Histórias que deixam marcas
Capítulo 4: NAS PROFUNDEZAS DA HISTÓRIA
Capítulo 4
NAS PROFUNDEZAS DA HISTÓRIA
Há mais conteúdo em uma história do que imagina nossa vã filosofia.
Tudo começa com a questão proposta por Aristóteles em A ética: Como um ser humano deve viver sua vida?
Se você acha que o assunto está tomando um rumo filosófico demais, relaxe. A primeira função de uma história é o entretenimento, ponto pacífico. Só não podemos nos esquecer que entreter, além de distrair e divertir com recreação, também significa manter, conservar. Manter e conservar o quê? Resposta imediata: aprendizados, tradições. Aprofundando o significado de distrair, o dicionário nos apresenta: atrair ou chamar a atenção de (alguém) para outro ponto ou objeto. E o outro verbo afim, divertir, nos leva a sentidos como: dissuadir, fazer esquecer. De um lado, manter e conservar conhecimento. De outro, chamar atenção para outro ponto. E, encerrando a trilogia, dissuadir. Buscamos entretenimento, não apenas por hedonismo, mas também por necessidade de oxigenação espiritual, pertença grupal, socialização, atualização, informação, enfrentamento de nossos medos, segurança emocional, autoconfiança, exploração do nosso imaginário, reafirmação de nossos princípios éticos e morais.
Quantas vezes você se identificou com personagens literários ou cinematográficos a ponto de se colocar no lugar deles? Quanto você deve às histórias que ouviu, leu ou assistiu em termos de conhecimento adquirido sobre guerras, sequestros, tragédias, relações afetivas, dramas familiares, conflitos de toda ordem? Sem precisar correr os riscos daqueles personagens, você aprendeu muito e certamente refletiu sobre o que faria se passasse pelo que eles passaram, que erros evitaria, que atitudes copiaria. Isto tende a dar mais certo do que aquilo, é o que pensamos sobre as escolhas feitas por personagens que nos cativam.
Quantos milhões de crianças aprenderam que vale a pena seguir a orientação dos pais com Chapeuzinho Vermelho? Quantas madrastas são rejeitadas até hoje por causa de Branca de Neve? Quanta esperança de reverter situações adversas foi plantada mundo afora por Cinderela? Aliás, quem ainda não testemunhou a habilidade das crianças em criar personagens? Uma infinidade de amigos invisíveis circula pelo imaginário dos pequenos, assim como são incontáveis as princesas e heróis que enfrentam mil aventuras na pele desses baixinhos cuja capacidade narrativa revela transbordante talento genético.