Storytelling: Histórias que deixam marcas

Adilson Xavier · Capítulo 70 de 85

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Storytelling: Histórias que deixam marcas

BMW, Mercedes e outros luxos

“Movidos pela paixão” é a frase que distingue a Fiat. É o que transparece em todos os seus esforços de comunicação, desde o personagem de pelúcia Gino Passione, que representa sua assistência técnica, até campanhas como “Vem pra rua”, que, feita para embalar a festa da torcida verde-amarela na Copa das Confederações em 2013, acabou agradando de tal forma que se tornou tema dos protestos políticos que agitaram o país durante aquela competição. “Movidos pela paixão” é o que reconhecem os brasileiros ao premiarem a Fiat com mais de uma década de liderança em vendas, desde 2002. Do Palio do dia a dia ao icônico Cinquecento importado, passando por outros modelos como o Idea, que, além de sinalizar um compromisso com a criatividade, teve a bênção de ser escolhido pelo Papa Francisco para se locomover em sua primeira visita ao Brasil, a Fiat evidencia o quanto a emoção é relevante mesmo nas decisões de compra que requerem maior desembolso e o quanto a paixão pode se tornar elemento fundamental de diferenciação.

 

BMW, Mercedes e outros luxos

 

Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?

My friends all drive Porsches, I must make amends

Worked hard all my lifetime, no help from my friends

So Lord, won’t you buy me a Mercedes-Benz?

MICHAEL MC LURE

 

Ser considerado “de luxo” pode custar mais caro a uma marca do que ela desejaria. Costumamos chamar assim carros que aparentam pertencer a uma estirpe nobre, antes inatingível, hoje nem tanto, amanhã ninguém sabe.

Rolls-Royce, Bentley, Aston Martin e Ferrari, pela raridade com que são vistos e pelos preços estratosféricos, claramente integram a cúpula dessa nobreza idolatrada. Jaguar e Porsche caminham muito perto da superelite. Outros, como BMW, Mercedes e Audi, já se diversificaram o suficiente para alargar o conceito do luxo. Basta andar pela rua e perceber que as três marcas alemãs têm sido competentes em equilibrar prestígio com popularidade, e há muito abriram mão de deixar boquiabertos quem as vê passar. Mercedes-Benz, a mais tradicional, com fama suficiente para se tornar título do grande sucesso póstumo de Janis Joplin em 1971, cantando letra do poeta beatnik Michael McClure; Audi, a caçula, com boa pegada de produto, mas pouca história para contar; e BMW, que merece destaque especial por uma das mais ousadas manobras em storytelling realizadas até hoje.