Storytelling: Histórias que deixam marcas
Linha do tempo
Não por acaso a página que resume nossa história no Facebook é conhecida como “linha do tempo”. O tempo faz toda diferença. Para cada um de nós, é o intervalo que separa o berço do túmulo, e todas as subdivisões a que esse intervalo está sujeito. É nesse tempo macro, ou em segmentos escolhidos dentro dele, que acontecem as histórias, flutuando segundo nossa capacidade de retenção, interpretação e reprodução dos fatos. Para ilustrar esse pensamento, vale novamente o auxílio de Miguel de Unamuno. Em determinado ponto de seu livro Como escrever um romance, ele diz: “Minha lenda! Meu romance! Quer dizer, a lenda e o romance que os outros e eu, meus amigos e meus inimigos, meu eu amigo e meu eu inimigo, fizemos conjuntamente a respeito de mim, Miguel de Unamuno, ou àquele que chamamos assim.” E páginas adiante, completa: “Por acaso a vida de cada um de nós é mais do que um romance? Existe romance mais romanesco do que uma autobiografia?”
Linha do tempo
Todos os frequentadores de redes sociais, neste exato momento, estão contando suas histórias. Nos capítulos passados, têm registrados textos e fotos do que consideram relevante compartilhar. O conjunto da obra dá uma ideia do que esses personagens consideram relevante em sua existência, e fica pendurado, até prova em contrário, para sempre, no varal cibernético a que chamamos “linha do tempo”.
O que antes era relatado em discretos diários e guardado em pouco manuseados álbuns de fotografias agora é aberto a um grande público. Na medida em que esse público aplaude, comenta e propaga os episódios de nossa vida, ficamos mais motivados a seguir narrando, e nos sentimos mais protagonistas do que nunca.
No século XXI, todos são heróis, todos têm opiniões sobre os mais diversos temas, todos podem ter seguidores, todos são mídia e conteúdo. É um fenômeno do nosso tempo, que se evidencia na linha do tempo on-line de cada um de nós. De um modo geral, independentemente da qualidade narrativa, somos todos storytellers e, como participantes de uma história em construção, também storybuilders e storydoers.